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VelaShow 2019, o primeiro!

28/04/2019
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No fim de semana da Páscoa (19 a 21 de abril 2019) aconteceu o primeiro VelaShow, em Itajaí, SC. Um salão náutico dedicado exclusivamente a atividades relacionadas de algum jeito à Vela. De carta forma, uma aposta de que o mercado da Vela poderia comportar um salão seu. O resultado? Acho que quem apostou, ganhou! Quem ficou de fora mas foi ver ou tentou se informar deve estar se perguntando se perdeu algum trem. Perdeu.

Aqui estão algumas imagens e comentários sobre este VelaShow, primeiro do seu nome. Embora tenha sido mandado para lá como representante da ABVC, o que segue é pessoal e não representa necessariamente a posição da Associação. Vamos lá.

Programa para o público

Além do salão, aberto das 12h00 às 21h00, havia palestras de manhã, workshops à tarde e em paralelo a tudo isto, para os mais animados, regatas na sexta e no sábado.

Palestras

Encheram o auditório, com capacidade para 500 pessoas:

  • Beto Pandiani, sobre sua travessia do Drake.
  • Adriano Plotzki e Aline Sena, sobre sua vida antes e depois de criarem o #SAL. Esta palestra teve repeteco tamanho o sucesso.
  • Vilfredo Schurmann. 3 horas de duração, e foi pouco. Embora intitulada “A Tubolit” e anunciada com tema “Construção do Veleiro Kat”,  teve pouco disto mas cobriu os 35 anos de aventuras e projetos da familia.
  • Beto , Thais e Google, direto da Croacia, via video-conferência, com o sabor fresco do relato de algo que está acontecendo.

Workshops

Inicialmente previstos para poucas pessoas, foram transferidos para o auditório depois do primeiro pois havia muito mais interessados do que espaço para sentar. Boa parte dos apresentadores tinham estandes na feira, o que permitia continuar as perguntas depois da apresentação.

  • Denilson Fuchs (Como realizar o seu sonho de morar a bordo de um veleiro)
  • Marcelo Lopes (Dicas essenciais para comprar um veleiro)
  • Marcelo Bonilla (Teoria básica de vela para iniciantes)
  • Roberto Deschamps (Pintura de antiincrustante da embarcação: cuidados e dicas)
  • Luiz Felipe de Carvalho (Modelagem 3D do casco de um veleiro)
  • Flavio Ramires (Navegação eletrônica para velas)
  • Marcelo Huertas (Limpeza e conservação interna e externa de veleiros de cruzeiro usando produtos ecoeficientes)
  • Arturo Justicia (Certificações náuticas internacionais: seu ingresso na industria profissional de iates)

Regatas

Houve três eventos náuticos ligados ao VelaShow, lembrando que vela é diversão e esporte:

  1. O Velejaço. Duas flotilhas de veleiros zarparam, de São Francisco do Sul e Floripa, e chegaram na Marina Itajaí na sexta, com confraternização à noite no VelaShow. Quem conseguiu se infiltrar nos cais da Marina pode ver o pessoal arrumando os barcos.
  2. Durante a sexta, a ANI (Associação Náutica de Itajaí) organizou regatas de Optimists, Shellback e Ibis Rubra, cuja premiação foi feita no VelaShow.
  3. No Sábado à tarde houve uma regata de veleiros de cruzeiro, com participação do pessoal do Velejaços e outros da Marina Itajaí e ANI. À noite, claro, festa e distribuição farta de medalhas e brindes, alguns da ABVC.

    VelaShow5

    Veleiros saindo do pier da ANI para a regata do Sábado, juntando-se aos da Marina Itajaí

Expositores

A primeira pergunta que se faz ao entrar num salão náutico é se há barcos em exposição, o resto vem depois. E tinha, muitos, bem mais que nos BS de SP e Rio – só não tinha lancha. Dentro e fora. Cabinados? Nada de super veleiros de luxo, apenas veleiros que tem uma chance de caber no bolso de uma familia ou grupos de compra (“sharing”), 25 pés ou menos como os Flash 170 e 205 ou o CS25.5, rebocável.

Um catamaran Wharram Tiki 38 (Amélia) lembrava que é possível construir sua embarcação. Este tema é um ponto forte da ANI com um dinghy que pode ser construido em poucos meses com um kit que compreende aulas, material e acesso a oficinas, para quem está em Itajaí – se tivesse isto em São Paulo, acho que me lançaria nesta aventura.

Tinha mais veleiros espalhados nos estandes. A Kalmar mostrou um lindo veleiro de madeira, a TomCat seu novo catamaran de regata, optimists diversos, um catamaran inflavel (BlackCat 430) e até um trimaran que atraiu muitos curiosos.

Respondida a primeira pergunta, o que mais tinha? Muita coisa, desde lojas de material náutico a seguradora, passando por pranchas de SUP, caiaques, kitesurf, parapente (alguns aparecem nas fotos acima). Um estande que sempre tinha gente era o da Roca Ankora, com vários tamanhos da sua boa âncora em exposição e até um tanque de areia para teste de modelos reduzidos (perfeitos para um bote de apoio). Diversas escolas de vela de todo o Brasil estavam presentes também, com gente fazendo fila para se informar. Ah, sim, como sempre, a Marinha do Brasil tinha seu canto, prestigiando eventos náuticos.

Tamanho e público

O tamanho do salão é modesto mas a área ocupada não tinha sobras, de modo que a próxima edição vai ter que crescer para fora. Conversando com alguns conhecidos que estavam em estandes, ficou claro que o grande diferencial foi o público. No lugar dos incáutos que vão ver o que os “bacanas” tem e babar sobre o que nunca vão poder usufruir, quem visitou no VelaShow estava interessado no que era acessível. Todos os estandes estavam sempre com gente perguntando, olhando, visitando. De maneira organizada, pouca fila, pouco barulho, e isso mesmo durante as apresentações. Para o público alvo e os expositores, certamente foi um sucesso.

Comentários finais

Gostei muito do evento. Em 3 dias, passeei pelos corredores inúmeras vezes e sempre tinha algo a ver que não tinha notado antes, ou encontrar pessoas conhecidas, conhecer novas pessoas. Todos, claro, interessados em vela e o que gira em torno dela. Para uma primeira edição, foi um sucesso. Teremos um segundo VelaShow o ano que vem?

O mar e as rugas

06/03/2019

Aquí estão três histórias inspiradoras recentes, envolvendo velhos lobo(a)s do mar e muita garra.

O vencedor da 2a Golden Globe:

VDH e Sir Robin Knox-Johnston. (Foto: Golden Globe Race).

Jean-Luc van den Heede (VDH) diz que  se entusiasmou com a regata Golden Globe de 1968, lendo tudo que podia, e que isto influenciou sua decisão de ser velejador professional. Assim não hesitou quando ouviu falar da nova edição a ser corrida no modo antigo, 50 anos mais tarde. Entre os 17 competidores, apesar da idade (73 anos), com suas 5 voltas ao mundo  solo (4 regatas onde ficou no pódio e 1 recorde que ainda vale de volta ao mundo no sentido este-oeste), ele era um grande favorito. Mas as coisas não foram fáceis: quando  liderava, com muita folga, umas 2000 milhas antes do Horn, ele capotou numa tempestade e danificou seu mastro. Na hora, pensou em desistir mas afinal, fez um conserto  no mastro e parafrasou  “para salvar minha alma, continuo”. Isto é, não queria desistir de tentar levar seu barco machucado de volta e terminar a regata mesmo sem ganhar. No fim, não só conseguiu mas  ganhou!

Acrobacia. (Foto: J.Vapillon)

Conserto do mastro.(Foto:P.Petit)

Estado do mar. (Foto: VDH)

Estado das mães. (Foto: P.Petit)

 

O vencedor da Rota do Rum:

A Rota do Rum é uma regata tradicional para velejadores solo entre a França e as Antilhas, organizada a cada 4 anos. Hoje ela se corre em várias classes, entre elas a dos trimarans Ultim, os maiores, mais espectaculares e mais rápidos. Havia 6 barcos nesta categoria, três deles de uns 30 metros “voadores” (= com “foils”) e favoritos: Banque Populaire de Armel Le Cleac’h (vencedor da última Vendée Globe e segundo das outras duas anteriores),  Macif de François Gabart (vencedor da Vendée Globe de 2013, recordista de volta ao mundo em solitário, com fama de ganhar tudo), Edmond de Rothschild de Sébastien Josse (4o da Volvo de 2006 com um equipe de “novices”). Apesar da vasta experiência (recordes de volta ao mundo em solitário e em equipe), Francis Joyon com seu barco de 2006 não era um vencedor esperado. Pois bem, Joyon, 62 anos, protagonizou um duelo incrível na chegada   contra Gabart, 37 anos,  e ganhou com 7 minutos após uma travessia de 7 dias 14 horas 21 minutos, tempo recorde.  Joyon diz que quando ele viu  a meteo que teriam durante a regata (que ele já havia feito 6 vezes), ele sabia que metade da frota não chegaria: de fato o  barco de Gabart chegou muito danificado,  os de  Josse e Le Cleac’h tiveram avarias sérias, sendo que este último também capotou, o de Joyon… chegou quase intacto.

Maxi-trimaran IDEC. (Foto: J.-M.Liot.)

Posto de pilotagem IDEC. (Foto: J.-M.Liot.)

 

O duel Macif-IDEC. (Foto: Y.Zadda.)

Joyon e Gabart. (Foto: J.-M.Liot.)

 

 

 

 

 

Em  busca de um novo recorde:

Selfie no Natal.

Foto de helicoptero perto das Malvinas?

Já falei de Jeanne Socrates quando ela  fez sua volta ao mundo, solo e sem parada aos 70 anos (após várias tentativas frustradas).  Agora ela está a caminho de nova volta ao mundo, solo e sem parada aos 76 anos (também após várias tentativas abortadas e uma queda de uma escada). É interessante acompanhar o blog dela para ver como ela lida com as dificuldades. Ela saiu de Vancouver e está a meio caminho, seu track pode ser seguido aquí ou aqui.

Nautic 2018 – a era dos infláveis?

18/12/2018

Mais uma vez consegui casar a data de uma passada por Paris com o salão náutico de Paris, o Nautic. Desta vez foi no dia e hora da abertura, que foi uma confusão como não esperava ver aqui. Pensava que a causa fosse revista de mochilas, mas não, era desorganização mesmo. Afunilar centenas de pessoas por uma porta nunca foi forma de organizar filas. Mas tudo bem, uma vez dentro o ambiente é outro, sempre agradável.

O que chamou nossa atenção logo na entrada foi a quantidade de stands oferecendo pranchas de standup paddle (SUP) de todos os tipos e tamanhos, muito mais que nos anos anteriores. Como tivemos umas aulas de SUP na raia da USP este semestre, tinhamos uma certa curiosidade sobre o que era oferecido nesta área e fomos ver de perto. O que vimos levou a este post. Parece que a tecnologia de fazer pranchas infláveis, o “drop stitch”, se consolidou e abriu uma quantidade infindável de aplicações, das quais escolhemos algumas na área náutica. Algumas delas, por sinal, vão tirar nosso sono e conforto de velejador. Deixamos de lado os botes de fundo inflavel “rígido”, cada vez mais comuns.

Pranchas enormes:

SUP de 18 pés entre outros modelos “pequenos”

Como aperitivo, que tal uma prancha de 18 pés? Olha o tamanho com uma pessoa em baixo. Vimos ela (a prancha) boiando no tanque de água que estava montado ao lado, com um cara remando sozinho. O coitado corria de um lado para outro.

Neste tanque, vimos uma competição de SUP e demonstrações de pranchas de kite e foils.

 


SUP sentado e caiaques:

Para quem gosta de remar sentado, tem a opção de colocar um assento na prancha ou ir direto para um caiaque com a mesma tecnologia. Repare na foto à direita, não é um caiaque inflável como no passado, tipo “jacaré”. Não, ele é rígido mesmo.

No caso do assento na prancha, foto à esquerda, veja ao lado do remo: tem uma parte que é a extremidade superior de um remo de SUP. Quando o caiaquista quiser transformar seu caiaque em SUP, basta retirar uma das pás do remo e colocar o acessório que terá uma legítima prancha de SUP com remo. O rapaz do stand disse que era para que a “esposa” com medo de remar em pé pudesse se acostumar e criar coragem. O kit completo, prancha, bomba, remos, assento e mochila, sai por menos de 400 euros!

Prancha com assento. O remo pode ser convertido para SUP

Caiaque inflável rígido

 


Bicicletas:

Para exercitar as pernas, tem pranchas movida a pedal. Uma armada com uma bicicleta cujos pedais movem um hélice e outra com pedais de pisar, mesmo efeito. Ambas, com guidão.

Prancha bicicleta, com guidão e pedal

Esta tem pedais que são movidos pisando neles.

 


SUP com vela:

Um protótipo interessante para quem gosta de SUP e windsurf é o que está sendo desenvolvido por uns jovens, o Turtle Mast (facebook.com/TurtleMast). Uma cinta prende suportes na prancha sobre os quais se inserem duas bolinas e o pé do mastro com a vela. O sistema é totalmente simétrico o que facilita gybes e bordos.

Detalhe das bolinas

Prancha com cinta e bolinas, remo e vela

Detalhe do suporte do pé

 


Veleiros infláveis:

Já para quem quer velejar, há o lançamento de um veleiro pequeno que pode ser carregado em 2 ou 3 sacos e montado em qualquer lugar, o Tiwal. O modelo 2 estava exposto, sendo um lançamento para 2019, assim como o Tiwal que já mostramos num post anterior, como o único veleiro que podia ser entregue pelo papai noel passando pela chaminé. Agora são dois! O 2 é totalmente inflável, o outro, inflável também, tem uma estrutura de metal que pode ser utilizada para escorar o barco:

Tiwal, com estrutura de metal

Tiwal 2, totalmente inflável


Tem até um catamarã classe C de 17 pés para até 4 pessoas, que cabe em 4 sacos, 80kg total. Um video o mostrava voando baixo!

dados do cat

Catamarã de 17 pés, que cabe em 4 sacolas


Outras atrações do Nautic:

Claro que o Nautic tem muita coisa interessante a ver além de geringonças infláveis (e o que foi mostrado acima é só uma parte do que vimos). Havia uma seção com barcos e outros objetos flutuantes movidos a eletricidade e muitos estandes com baterias de lítio cujo preço começa a ficar interessante. Visitamos uma “penichette” (para navegar em canais da Europa) de 15m movida a eletricidade, com 5 (6?) cabines. Feia sim, mas deve ser uma delicia deslizar em silêncio nos canais da Bourgogne, parando aqui ou lá para degustar o vinho do castelo local. Ainda na área de ambiente limpo, havia um setor com diversas iniciativas de limpeza dos oceanos com sistemas que catam plástico e se deslocam com as ondas.

Simulador de trimaran em realidade virtual:

Uma diversão muito bem feita foi a de um simulador 3D em realidade virtual do trimarã Macif (atualmente pilotado pelo François Gabart, que já ganhou muitas regatas com ele e estabeleceu recordes mundiais). Sentado numa poltrona que pode se mover para qualquer lado, com uma máscara de realidade virtual tampando os olhos, você está sentado num dos flutuadores do Macif, velejando a 30 nós. Mexendo a cabeça, pode-se ver as velas, a água, a paisagem, tudo. Um conjunto de ventiladores dão a sensação do vento e, quando o barco bate numa onda, respingos de água são borrifados que molham seu rosto. Bom, imagino que se era para ser mesmo realista, deveriam jogar baldes de água, não borrifar. Mas ai não teria fila para passar um minuto sonhando, sendo chacoalhado bruscamente a cada onda que passa!

Três senhoras imersas no mundo virtual do Macif

 


Ameaças:

Não visitamos o setor de lanchas e jetskis de modo que não sabemos que ameaças virão de lá. Mas há um lado menos simpático na área dos infláveis e pranchas que nos deixaram um pouco apreensivos quanto ao nosso sossego de velejador ancorado. A foto abaixo mostra uma prancha rígida (depois vimos uma inflável do mesmo tipo) com motor de jato de água dentro. O piloto fica em pé. Claro que fará menos ondas que um jetski ou um bote mas deve ser mais delicado de pilotar. Também tem um jeito de guilhotina flutuante para um nadador!

Prancha com motor de jato d’água embutido.


Uma outra moda são os foils, que agora aparecem em tudo quanto é barco (veleiro e lancha) mas também em pranchas (kite, surf). A novidade são foils com um pequeno hélice movido a bateria com 1h de autonomia que pode ser instalado embaixo de uma prancha de surf, SUP ou qualquer outra plataforma. Algumas pessoas com que conversamos mostravam a preocupação com a grande probabilidade de iniciantes e até experiente “foilistas” acabarem como decalques no costado dos barcos.

prancha com foil

E-Foil PWR, da Redwood Paddle.


Bom, isso é apenas uma parte ínfima do salão, claro. O resto nos fez rapidamente esquecer essas “ameaças”. Por exemplo, o Penduick I, exposto para arrecadar fundos para sua reforma!

Barcos utilitários

24/11/2018

Numa cidade “normal” o transporte de mercadorias, pessoas e outros é feito por veículos mais ou menos especializados. Como isto é feito numa cidade que tem canais no lugar de ruas? Este post mostra fotos de alguns barcos que tem uma função bem determinada na manutenção de Veneza e será o último da serie referente à nossa curta visita lá.

Transporte de pessoas

O grosso do transporte de pessoas, em termos de volume, é feito pelo equivalente ao ônibus: o vaporetto. Há um grande número de linhas que cobrem os canais principais da cidade e diversos pontos da laguna. Como nossos ônibus, tem paradas onde os passageiros desembarcam e embarcam, nesta ordem. Ah, sim, eles tem horários indicados em cada ponto e em geral respeitados

vaporetti

Três vaporetti

desembarque

Passageiros desembarcando num dos pontos em Murano

Claro que quem não gosta de transporte público pode usar taxi ou ter sua lanchinha, lancha ou lanchona.

taxi

Um taxi seguido por lanchas particulares

Além disto, ainda tem as gondolas que fazem parte da imagem da cidade e são usadas principalmente pelos turistas. Elas tem acesso a partes da cidade em que lanchas não podem circular.

gondolas

Fila (engarrafamento) de gondolas com turistas

gondola_chuva

Mesmo na chuva…

Tem também os transportes mais especializados, como ambulância, resgate e barco funerário…

ambulancia

Ambulância

resgate

Bote de resgate

funerario

Lancha funerária com o sistema para carregar o caixão

Transporte de mercadorias

As mercadorias são tranportadas por barcos a motor robustos que conseguem circular também nos canais mais estreitos, tendo que manobrar para conseguir dobrar as esquinas. A habilidade dos condutores é notável! Alguns são bem especializados, como os refrigerados. Quando o destinatário não é acessível a partir do canal, as caixas são transportadas em carrinhos, desembarcadas no ponto mais próximo.

entrega

Barco fazendo entregas. É de se espantar como não ficam entalados!

frigorifico

Barco frigorífico.

O correio também tem seu barco

correios.jpg

Serviço postal. O carteiro desembarca com um carrinho e vai entregar a correspondência nas ruelas.

Alguns barcos, além de transportarem a mercadoria, servem de loja, como por exemplo os que vendem frutas e legumes.

Utilitários

A infraestrutura da cidade é mantida com barcos especializados, como guincho, coleta de lixo e limpa fossa.

guincho

Guincho

lixeiro

Coletor de lixo

limpa_fossa

Limpa fossa

Vida da cidade

Como em qualquer cidade há problemas de estacionamento e engarrafamento.

Alguns tem soluções engenhosas para guardar seu barco…

 

“La vogalonga”

23/11/2018

Realmente, Veneza é uma cidade cativante de visitar para quem gosta de barco. Quando estavamos lá, tivemos a sorte de  assistir à  “vogalonga”, uma regata  não competitiva que ocorre cada  maio (ou início de junho).  O percurso de 32 km sai de San Marco,  adentra a laguna passando por várias de suas  ilhas  charmosas como Burano e Murano, e volta a  Veneza pelos canale di Cannaregio e   Gran Canale. Por ser aberta a qualquer um e qualquer embarcação  a remo (e num quadro maravilhoso), a “vogalonga” atrai participantes do mundo tudo: este ano haviam 8300 inscritos em 2100 barcos.

Em várias embarcações, os remadores estavam em pé e olhando para frente,  o método tradicional da laguna, mais conveniente para verificar se há um baixio.

Todavia vimos de tudo: canoa havaiana, caiaques, stand up paddle, bote inflavel, dragon boat, etc… Haviam grupos de amigos, casais, familias, cachorros (com colete), muita gente fantasiada. Uma festa e tanto.





Este ano, houve muito vento e vimos os remadores chegando cansados na primeira ponte na volta a Veneza. A multidão aplaudia e eles respondiam com a tradicional saudação, remo para cima. Isto, antes de enfrentar a corrente forte debaixo da ponte estreita, sob supervisão dos bombeiros.
 

Além de ser um evento alegre e festivo, o  que torna “la vogalonga” muito especial é a razão pela qual foi criada em 1975 e vale até hoje: protestar contra os danos às construções da cidade e aos ecosistemas da laguna provocados pelas marolas dos barcos a motor (numerosos já que alí tudo se faz  de lancha, ver próximo post). Será que deveriamos pensar em algo assim em certas baías aquí?

Conservação do patrimonio náutico

10/07/2018

O turista que visita Veneza tem como passeio obrigatório, entre outros, percorrer o Canal Grande entre Piazza San Marco e Piazzale Roma de vaporetto. As margens com seus palacios e palacetes mostram a riqueza que esta cidade teve, riqueza esta totalmente devida ao dominio marítimo que exerceu no Adriático e boa parte do Mediterraneo. Se houve este dominio, deveria haver alguma tradição náutica que tenha sobrado e muitos museus com peças da época. O que se vê ao andar ao longo dos canais são barcos a motor circulando, gôndolas aguardando turistas,  lanchinhas com motor de popa estacionadas e alguns barcos utilitários com motor de centro em seus afazeres.  A motorização, que data de um século, basicamente eliminou formas tradicionais de transporte na laguna.

Onde estariam os barcos tradicionais a vela e remo e os que fizeram de Veneza uma potência? Procurando na Internet achamos dois lugares a visitar: o Museo Storico Navale e uma associação que recupera barcos tradicionais, Arzanà.

O Museo estava fechado para reforma mas a parte em que barcos são expostos (Padiglione delle Navi), quase na entrada do Arsenale, estava aberta e visitável por 5 Euros. Fomos la ver o que tinha. Passamos um par de horas (o pessoal estava aguardando nossa saida para fechar as portas…) olhando de perto alguns barcos realmente diferentes, específicos para lagunas e lagos. Há dois barcos grandes da Marinha, reliquias da segunda guerra. Há também uma parte do iate Elettra utilizado por Guglielmo Marconi nos testes de transmissão de ondas de radio. O museu oferece uma visita virtual bem interessante.

A visita do museu foi certamente muito interessante, mas era um museu, que mostra barcos e objetos do passado. Ao tomar conhecimento da Arzanà, entramos num mundo diferente.

arzana1

Primeiro, a visita deve ser combinada pelo site. A associação indica um acompanhante fluente numa das linguas indicadas no formulário. Trocamos algumas mensagens e nossa visita foi agendada para uma terça feira à tarde. O local fica no fim de uma daquelas ruelas estreitas que terminam num canal, uma pequena porta com uma campainha marcada Arzanà, nada que indique o que tem por tras. O local é um antigo estaleiro (“squero”) onde gôndolas eram manufaturadas ou reparadas desde o XV século até o inicio do XX!

Nosso guia, Jerry, um senhor escossês que vive em Veneza há alguns anos, atendeu de imediato. Uma simpatia, muito animado com a cultura náutica da laguna, além de falar um inglês inteligível.

O local parece um depósito de peças e ferramentas, no meio do qual há uma antiga gôndola recém recuperada e algumas joias raras como uma capota (“felze”) de madeira, couro e veludo usada para proteger os passageiros no inverno. As paredes são cobertas de peças como “forcole” (suporte para os remos), lemes, remos, moitões de madeira de todos os tamanhos. No fundo há ferramentas utilizadas para cortar toras em táboas e trabalhar a madeira. Uma gôndola é feita com diversos tipos de madeira, mas cuja composição depende da oferta de material, recursos do comprador e tradição do artezão. Abaixo estão algumas fotos do que vimos. Há muita coisa para ver num espaço pequeno, daria para ficar horas bisbilhotando.

Do lado de fora, duas barcas estão atracadas, que devem ser utilizadas neste terça à noite para um evento de remos filantrópico. Depois de um par de horas falando e explicando, o Jerry precisa preparar estas barcas, que estão com água no fundo por causa da chuva do dia anterior. Nos despedimos com a sensação de termos visto algo único…

… e em extinção: sem espaço para guardar embarcações novas na cidade, cada “barco de plástico” toma o lugar de um de madeira que é queimado ou destruido, segundo o Jerry.

Vela al Terzo

30/05/2018

Vida de Físico é dura mas tem algumas compensações: congressos importantes são muitas vezes realizados em locais maravilhosos. Sofrimento para os congressistas que ficam trancados ouvindo palestras e delicia para os acompanhantes. Foi meu caso como simples conjuge, recentemente, quando pude passar uns dias explorando Veneza. Fugindo dos locais turísiticos apinhados de gente, num dos canais de Cannaregio dei de cara com un veleiro diferente: fundo chato (como os Optmists) mas com mastro, curto, perto da popa:

A imagem ficou na cabeça. Nos dias seguintes vi outros barcos do mesmo tipo e também alguns maiores com 2 mastros ou encaixes para 1 ou 2 mastros. Finalmente, ao contornar o Arsenale por fora, achei um local com diversos barcos e uma espécie de armazem com uma porta marcada “Associazione Vela Al Terzo“. Na pequena marina, um senhor estava arrumando uma vela colorida porém muito estranha pois tinha algo que parecia serem duas retrancas. Meu italiano sendo menos que básico, não ousei falar e apenas anotei o site (www.velaalterzo.it) para aprender mais e talvez voltar para conversar.

Outro dia que passamos por la estava tudo fechado, a conversa não aconteceu, mas olhando para a laguna, vimos um dos barcos que tinha saido pouco antes:

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A motor, preparando a vela. A posição do mastro, bem para tras, é notável.

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E com a vela levantada

Numa visita a uma outra organização de preservação do patrimônio náutico de Veneza (Arzanà, relatada em outro post), aprendemos um pouco sobre estes veleiros.  Em resumo, o veleiro tipo “al terzo” tem seu nome  devido ao fato que a adriça que levanta a vara superior (carangeja?) está presa a 1/3 do seu comprimento da vara em direção à proa (veja a foto acima). Uma pequena buja pode ser colocada para ventos mais orçados nos veleiros de um mastro. Os de dois, que em geral são maiores e tem um casco mais arredondado, usam o mesmo tipo de vela em ambos os mastros. A vela tem 4 lados, sendo o superior e o inferior sustentados por uma vara. A vara inferior não é presa ao mastro, como uma retranca o é normalmente, e se projeta para frente.

O casco tem fundo plano, não tem bolina (mas alguns barcos tinham uma tábua solta que parecia poder ser usada como bolina a sotavento) e o leme é grande com posição regulável para poder ser também usado sem descer abaixo do fundo do casco. Ao que parece, este desenho é comun aos barcos a vela e remo da laguna de Veneza, onde a água é muito rasa exceto nos canais balisados onde circulam as lanchas e barcos de trabalho.

Uma busca no google e no youtube vai levar a bastante material e videos de regatas e passeios, com barcas de um e dois mastros. O site mencionado acima tem alguns videos lindos na aba “media” como o de uma regata e todo um material em italiano.

 

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