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Barcos utilitários

24/11/2018

Numa cidade “normal” o transporte de mercadorias, pessoas e outros é feito por veículos mais ou menos especializados. Como isto é feito numa cidade que tem canais no lugar de ruas? Este post mostra fotos de alguns barcos que tem uma função bem determinada na manutenção de Veneza e será o último da serie referente à nossa curta visita lá.

Transporte de pessoas

O grosso do transporte de pessoas, em termos de volume, é feito pelo equivalente ao ônibus: o vaporetto. Há um grande número de linhas que cobrem os canais principais da cidade e diversos pontos da laguna. Como nossos ônibus, tem paradas onde os passageiros desembarcam e embarcam, nesta ordem. Ah, sim, eles tem horários indicados em cada ponto e em geral respeitados

vaporetti

Três vaporetti

desembarque

Passageiros desembarcando num dos pontos em Murano

Claro que quem não gosta de transporte público pode usar taxi ou ter sua lanchinha, lancha ou lanchona.

taxi

Um taxi seguido por lanchas particulares

Além disto, ainda tem as gondolas que fazem parte da imagem da cidade e são usadas principalmente pelos turistas. Elas tem acesso a partes da cidade em que lanchas não podem circular.

gondolas

Fila (engarrafamento) de gondolas com turistas

gondola_chuva

Mesmo na chuva…

Tem também os transportes mais especializados, como ambulância, resgate e barco funerário…

ambulancia

Ambulância

resgate

Bote de resgate

funerario

Lancha funerária com o sistema para carregar o caixão

Transporte de mercadorias

As mercadorias são tranportadas por barcos a motor robustos que conseguem circular também nos canais mais estreitos, tendo que manobrar para conseguir dobrar as esquinas. A habilidade dos condutores é notável! Alguns são bem especializados, como os refrigerados. Quando o destinatário não é acessível a partir do canal, as caixas são transportadas em carrinhos, desembarcadas no ponto mais próximo.

entrega

Barco fazendo entregas. É de se espantar como não ficam entalados!

frigorifico

Barco frigorífico.

O correio também tem seu barco

correios.jpg

Serviço postal. O carteiro desembarca com um carrinho e vai entregar a correspondência nas ruelas.

Alguns barcos, além de transportarem a mercadoria, servem de loja, como por exemplo os que vendem frutas e legumes.

Utilitários

A infraestrutura da cidade é mantida com barcos especializados, como guincho, coleta de lixo e limpa fossa.

guincho

Guincho

lixeiro

Coletor de lixo

limpa_fossa

Limpa fossa

Vida da cidade

Como em qualquer cidade há problemas de estacionamento e engarrafamento.

Alguns tem soluções engenhosas para guardar seu barco…

 

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“La vogalonga”

23/11/2018

Realmente, Veneza é uma cidade cativante de visitar para quem gosta de barco. Quando estavamos lá, tivemos a sorte de  assistir à  “vogalonga”, uma regata  não competitiva que ocorre cada  maio (ou início de junho).  O percurso de 32 km sai de San Marco,  adentra a laguna passando por várias de suas  ilhas  charmosas como Burano e Murano, e volta a  Veneza pelos canale di Cannaregio e   Gran Canale. Por ser aberta a qualquer um e qualquer embarcação  a remo (e num quadro maravilhoso), a “vogalonga” atrai participantes do mundo tudo: este ano haviam 8300 inscritos em 2100 barcos.

Em várias embarcações, os remadores estavam em pé e olhando para frente,  o método tradicional da laguna, mais conveniente para verificar se há um baixio.

Todavia vimos de tudo: canoa havaiana, caiaques, stand up paddle, bote inflavel, dragon boat, etc… Haviam grupos de amigos, casais, familias, cachorros (com colete), muita gente fantasiada. Uma festa e tanto.





Este ano, houve muito vento e vimos os remadores chegando cansados na primeira ponte na volta a Veneza. A multidão aplaudia e eles respondiam com a tradicional saudação, remo para cima. Isto, antes de enfrentar a corrente forte debaixo da ponte estreita, sob supervisão dos bombeiros.
 

Além de ser um evento alegre e festivo, o  que torna “la vogalonga” muito especial é a razão pela qual foi criada em 1975 e vale até hoje: protestar contra os danos às construções da cidade e aos ecosistemas da laguna provocados pelas marolas dos barcos a motor (numerosos já que alí tudo se faz  de lancha, ver próximo post). Será que deveriamos pensar em algo assim em certas baías aquí?

Conservação do patrimonio náutico

10/07/2018

O turista que visita Veneza tem como passeio obrigatório, entre outros, percorrer o Canal Grande entre Piazza San Marco e Piazzale Roma de vaporetto. As margens com seus palacios e palacetes mostram a riqueza que esta cidade teve, riqueza esta totalmente devida ao dominio marítimo que exerceu no Adriático e boa parte do Mediterraneo. Se houve este dominio, deveria haver alguma tradição náutica que tenha sobrado e muitos museus com peças da época. O que se vê ao andar ao longo dos canais são barcos a motor circulando, gôndolas aguardando turistas,  lanchinhas com motor de popa estacionadas e alguns barcos utilitários com motor de centro em seus afazeres.  A motorização, que data de um século, basicamente eliminou formas tradicionais de transporte na laguna.

Onde estariam os barcos tradicionais a vela e remo e os que fizeram de Veneza uma potência? Procurando na Internet achamos dois lugares a visitar: o Museo Storico Navale e uma associação que recupera barcos tradicionais, Arzanà.

O Museo estava fechado para reforma mas a parte em que barcos são expostos (Padiglione delle Navi), quase na entrada do Arsenale, estava aberta e visitável por 5 Euros. Fomos la ver o que tinha. Passamos um par de horas (o pessoal estava aguardando nossa saida para fechar as portas…) olhando de perto alguns barcos realmente diferentes, específicos para lagunas e lagos. Há dois barcos grandes da Marinha, reliquias da segunda guerra. Há também uma parte do iate Elettra utilizado por Guglielmo Marconi nos testes de transmissão de ondas de radio. O museu oferece uma visita virtual bem interessante.

A visita do museu foi certamente muito interessante, mas era um museu, que mostra barcos e objetos do passado. Ao tomar conhecimento da Arzanà, entramos num mundo diferente.

arzana1

Primeiro, a visita deve ser combinada pelo site. A associação indica um acompanhante fluente numa das linguas indicadas no formulário. Trocamos algumas mensagens e nossa visita foi agendada para uma terça feira à tarde. O local fica no fim de uma daquelas ruelas estreitas que terminam num canal, uma pequena porta com uma campainha marcada Arzanà, nada que indique o que tem por tras. O local é um antigo estaleiro (“squero”) onde gôndolas eram manufaturadas ou reparadas desde o XV século até o inicio do XX!

Nosso guia, Jerry, um senhor escossês que vive em Veneza há alguns anos, atendeu de imediato. Uma simpatia, muito animado com a cultura náutica da laguna, além de falar um inglês inteligível.

O local parece um depósito de peças e ferramentas, no meio do qual há uma antiga gôndola recém recuperada e algumas joias raras como uma capota (“felze”) de madeira, couro e veludo usada para proteger os passageiros no inverno. As paredes são cobertas de peças como “forcole” (suporte para os remos), lemes, remos, moitões de madeira de todos os tamanhos. No fundo há ferramentas utilizadas para cortar toras em táboas e trabalhar a madeira. Uma gôndola é feita com diversos tipos de madeira, mas cuja composição depende da oferta de material, recursos do comprador e tradição do artezão. Abaixo estão algumas fotos do que vimos. Há muita coisa para ver num espaço pequeno, daria para ficar horas bisbilhotando.

Do lado de fora, duas barcas estão atracadas, que devem ser utilizadas neste terça à noite para um evento de remos filantrópico. Depois de um par de horas falando e explicando, o Jerry precisa preparar estas barcas, que estão com água no fundo por causa da chuva do dia anterior. Nos despedimos com a sensação de termos visto algo único…

… e em extinção: sem espaço para guardar embarcações novas na cidade, cada “barco de plástico” toma o lugar de um de madeira que é queimado ou destruido, segundo o Jerry.

Vela al Terzo

30/05/2018

Vida de Físico é dura mas tem algumas compensações: congressos importantes são muitas vezes realizados em locais maravilhosos. Sofrimento para os congressistas que ficam trancados ouvindo palestras e delicia para os acompanhantes. Foi meu caso como simples conjuge, recentemente, quando pude passar uns dias explorando Veneza. Fugindo dos locais turísiticos apinhados de gente, num dos canais de Cannaregio dei de cara com un veleiro diferente: fundo chato (como os Optmists) mas com mastro, curto, perto da popa:

A imagem ficou na cabeça. Nos dias seguintes vi outros barcos do mesmo tipo e também alguns maiores com 2 mastros ou encaixes para 1 ou 2 mastros. Finalmente, ao contornar o Arsenale por fora, achei um local com diversos barcos e uma espécie de armazem com uma porta marcada “Associazione Vela Al Terzo“. Na pequena marina, um senhor estava arrumando uma vela colorida porém muito estranha pois tinha algo que parecia serem duas retrancas. Meu italiano sendo menos que básico, não ousei falar e apenas anotei o site (www.velaalterzo.it) para aprender mais e talvez voltar para conversar.

Outro dia que passamos por la estava tudo fechado, a conversa não aconteceu, mas olhando para a laguna, vimos um dos barcos que tinha saido pouco antes:

terzo_4

A motor, preparando a vela. A posição do mastro, bem para tras, é notável.

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E com a vela levantada

Numa visita a uma outra organização de preservação do patrimônio náutico de Veneza (Arzanà, relatada em outro post), aprendemos um pouco sobre estes veleiros.  Em resumo, o veleiro tipo “al terzo” tem seu nome  devido ao fato que a adriça que levanta a vara superior (carangeja?) está presa a 1/3 do seu comprimento da vara em direção à proa (veja a foto acima). Uma pequena buja pode ser colocada para ventos mais orçados nos veleiros de um mastro. Os de dois, que em geral são maiores e tem um casco mais arredondado, usam o mesmo tipo de vela em ambos os mastros. A vela tem 4 lados, sendo o superior e o inferior sustentados por uma vara. A vara inferior não é presa ao mastro, como uma retranca o é normalmente, e se projeta para frente.

O casco tem fundo plano, não tem bolina (mas alguns barcos tinham uma tábua solta que parecia poder ser usada como bolina a sotavento) e o leme é grande com posição regulável para poder ser também usado sem descer abaixo do fundo do casco. Ao que parece, este desenho é comun aos barcos a vela e remo da laguna de Veneza, onde a água é muito rasa exceto nos canais balisados onde circulam as lanchas e barcos de trabalho.

Uma busca no google e no youtube vai levar a bastante material e videos de regatas e passeios, com barcas de um e dois mastros. O site mencionado acima tem alguns videos lindos na aba “media” como o de uma regata e todo um material em italiano.

 

Frase naútica de março

18/03/2018

Para acabar esta série de um ano de frases naúticas,  aquí está a última, vindo da sabedoria popular:

Plus tu es vieux, plus le vent est fort, et en plus il est toujours de face.

Quanto mais velho você fica, mais forte é o vento e, ademais, ele está sempre na cara.

(Espero que esta frase não seja certa.)

Esquerda (Eddie Sortudo): se tivesse que viver sua vida de novo, o que faria de diferente? Centro (Hagar): eu gastaria mais tempo mimando e atendendo às necessidades do meu único amor de verdade. Direita (Eddie Sortudo): você faria isto tudo para seu barco?

 

Frase naútica de fevereiro

05/02/2018

La pétole pour les marins, c’est cette calamité qui pour les vacanciers est un paradis: l’absence totale de vent.”

A “petole” (calmaria)  para os velejadores, é esta calamidade que para  as pessoas de férias é um paraíso: a ausência total de vento.”

Pronto, aprendeu uma gíria francesa graças à famosa navegadora francesa Florence Arthaud.

Sir Isaac Newton não  concorda.

 

Frase naútica de janeiro

11/01/2018

Je continue sans escale vers les îles du Pacifique parce que je suis heureux en mer, et peut être aussi pour sauver mon âme.

Continuo sem escala rumo às ilhas do Pacífico porque sou feliz no mar, e talvez também para salvar minha alma.

Esta foi a mensagem mandada por Bernard Moitessier ao Sunday Times para anunciar sua saída da Golden Globe, a primeira regata de volta ao mundo solo non-stop, quando ele tinha chance de ganhá-la. (A história toda é contado no seu livro “O longo caminho”. )

Esta regata  começou em 1968. Para comemorar isto, este ano, dia 1º de julho,  largará de Sables d’Olonne na França, a  segunda edição  da Golden Globe nos moldes da primeira: sem eletrônica (exceto para emergência) , sem assistência (arquivos de meteo, routing) e com barcos de 32 a 36 pés (projetados antes de 1988, com quilha comprida e leme ligado nela). O melhor: os brasileiros poderão torcer por um compatriota: Gustavo Pacheco está inscrito.

 

 

Robin Knox-Johnston no seu barco Suhaili, chegando à Grã Bretanha em abril de 1969, ganhador da regata e único dos 9 participantes a completá-la. Ele contou sua aventura no livro “Um mundo só meu”.

 

 

 

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