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Carnaval no Varadouro

04/03/2017

Aproveitando férias e Carnaval resolvemos fazer um rápido cruzeiro de 700 milhas: Angra dos Reis a Antonina (Paranaguá) pelo mar e voltando via canal do Varadouro e Cananeia. Domingo 26 seria lua nova, e as marés seriam máximas dias 25 a 27, permitindo a passagem do canal no Sábado 25 com pelo menos mais 2 dias de folga em caso de encalhe.

Perna 1: Bracuhy a Antonina, 300 milhas.

Saimos de Bracuhy no domingo 19/2/17 às 6h30 da manhã. O plano era chegar na terça depois das 8h00 na entrada do canal das Galhetas com a maré baixa, para entrar com a enchente nós empurrando para Antonina. Com as informações do pessoal da ABVC, haviamos feito contato com o Clube Nautico de Antonina e eles estavam nos aguardando com uma poita para o Kilimandjaro.

Basicamente, motoramos o tempo todo (47h em 54h) pois havia pouco vento (de popa) ou nenhum mas tivemos umas poucas horas de vela, prazeirosas, mais perto de Paranaguá. De notável… grandes manchas vermelhas na água, logo passando a Joatinga, muitos golfinhos nos acompanhando e fazendo acrobacias e, à noite, um céu maravilhoso.

Antonina

Chegamos numa hora imprópria: 12h40. Tentamos contactar o clube via VHF mas ninguém respondia então mudamos de tecnologia e o celular foi prontamente atendido.  Muito prestativos, vieram imediatamente indicar a poita. Ficamos no barco um bom tempo arrumando a confusão que sempre reina depois de 54 horas de navegação, mesmo a motor. Deixamos o barco pronto para zarpar, um hábito no Kilimandjaro. Baixamos, fomos fazer o check-in e saborear o que de fato é uma das maiores satisfações da vela: tomar um banho de chuveiro no fim de uma longa e quente velejada. Depois, claro, um sorvete e sucos enquanto aguardávamos o posto entregar 20l de diesel, encomendados na secretaria.

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                Veleiros apoitados frente ao Clube Nautico de Antonina

A noite foi tranquila mas um pouco quente pois a água estava em 29,5°C e havia pouco vento. De manhã fomos à cidade para conhecer, fazer umas compras e almoçar (restaurante Brisa do Mar, por quilo, muito bom).

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Igreja matriz  de Nossa Senhora do Pilar, Antonina

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Ruinas de um antigo armazém

Perna 2: Antonina a Guaraqueçaba

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                    Guaraqueçaba vista do ponto de ancoragem

Nosso plano original era ir à Ilha das Peças (Rio das Peças) mas conversando com o pessoal e trocando mensagens com um velejador “ABVC” da região (veleiro Furioso), mudamos para Guaraqueçaba, o que alonga pouco a rota e era um local novo para nós. Saimos às 8h10 da quinta 23/2 e chegamos às 13h15, a motor, claro. Ancoramos logo ao Norte do trapiche, como aconselhados, e fomos à terra passear. A parte bonita da cidade é a que fica frente à água. Mas que calor! Comi a excelente casquinha de siri do Armazém Rodrigues, acompanhada de suco de acerola bem gelado.

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Pontão principal, onde amarramos nosso bote

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Pontão das canoas com o principal ao fundo

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Armazém Rodrigues por fora

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Armazém Rodrigues por dentro.

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Uma das águias

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Igrejinha

Voltamos ao Kilimandjaro um pouco mais cedo que o previsto e isto foi sorte: maré vazante, o motor do bote parou e foi um ufa para chegar remando contra correnteza. Nisto entrou um SE de mais de 15 nós que”equilibrava” a correnteza. O efeito, bem conhecido que quem ancora em rios, é colocar o barco atravessado na correnteza, navegando de um lado para outro, puxando a âncora para lá e para cá e enroscando o cabo de amarra na quilha e no leme. Passei um par de horas no leme mantendo o barco alinhado com a correnteza até acalmar. Logo em seguida, entrou um temporal com chuva, vento e raios, como poucas vezes o Kilimandjaro vivenciou! Um raio caiu perto e acabou-se a luz na cidade. Isto durou umas 2 horas e meia e quando acabou, maré enchendo, … o vento rondou 180 graus e recomeçou a brincadeira pré-temporal. Mas aí havia espaço para eventualmente garrar (o que não aconteceu) e fomos dormir, com alarme de âncora e uma olhada no GPS mais ou menos a cada hora.

Amanheceu tudo em paz, céu limpo, com um monte de canoas a motor indo e vindo. Guaraqueçaba tem um posto de combustível (Diesel e gasolina) ao lado do cais na ponta Sul, onde atracam estas canoas, uma dica para quem quer abastecer sem ir a Paranaguá.

Tivemos o prazer de observar muitas vezes botos cinzas vindo à tona, alguns em Antonina e muitos em Guaraqueçaba. Porém eles são quase impossíveis de serem fotografados: diferentemente dos golfinhos do mar, eles vem à superfície, isolados ou em pequeno número, respiram e mergulham, ficando bastante tempo submersos antes de voltarem para respirar. Também não parecem levados a acompanhar um veleiro!

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Canoas tradicionais com pescadores

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Uma das comunidades nas margens

Perna 3: Guaraqueçaba a Ilha dos Pinheiros

Nesta sexta 24, nosso objetivo era ir a Barbados (Ilha de Superagüi) para almoçar e visitar o museu no Restaurante do Lopes e depois ancorar junto à Ilha dos Pinheiros, um percurso de 30 milhas. Almoço não deu e o museu estava fechado pois havia muito material de construção armazenado. Assim mesmo o Sr. Lopes abriu a porta e pudemos entrever as antigas ferramentas utilizadas para fazer farinha de mandioca, uma atividade proscrita hoje. Espero que voltem a expor estas peças, são muito interessantes. Há algumas fotos e mais detalhes no relato do Cruzeiro Costa Sul de 2016. De positivo, há agora um lindo pontão que permite desembarque sem ter que caminhar no lodo.

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Ilha dos Pinheiros. Os papagaios ficam principalmente na ponta Norte, que aparece à esquerda na foto. Outras aves ficam na ponta Sul.

Seguimos para a Ilha dos Pinheiros, com o objetivo de ver e ouvir os papagaios-de-cara-roxa, que habitam nela, saem de manhã para passar o dia fora e voltam ao anoitecer. E de fato, por volta das 17h30 (pôr do Sol oficial 18h48), começaram a aparecer pares de aves no alto, que desciam sobre a ilha. Aos pouco começou uma ruideira que foi crescendo à medida que chegavam mais papagaios em pares ou trios, até ficar dificil conversar no barco. Num intervalo de um minuto, quando o Sol se pôs, a barulheira acabou totalmente, como se alguém tivesse desligado uma chave. Silêncio total!!!

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Papagaios-de-cara-roxa empoleirados numa árvore

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Biguás e biguatingas na outra ponta da Ilha

Estávamos ancorados a uns 200 m da costa da ilha e um app do celular mediu 30dB no silêncio e 65 a 70dB no pico da algazarra!

3 paragaios-de-cara-roxa chegando na Ilha dos Pinheiros

       Três papagaios-de-cara-roxa chegando na Ilha dos Pinheiros

Perna 4: Ilha dos Pinheiros a Marujá (Varadouro)

A noite foi tranquila, sem chuva nem raios nem barulho de aves. Mas mal o dia clareou (cerca de 30 minutos antes do amanhecer oficial) que recomeçou a festa, com, surpresa, umas saracuras 3 potes cantando e dominando a barulheira de fundo! Aos poucos, pares ou grupos maiores que logo se separavam em pares ou trios, foram aparecendo no céu e indo para todos os lados. O barulho foi baixando e acabou cerca de uma hora depois do amanhecer mas não de forma tão abrupta quanto à noite – ficaram uns papagaios na ilha.

Aguardamos a maré subir um pouco e saimos às 11h00, devagar rumo ao Varadouro. Uma hora mais tarde estavamos retidos por um alto fundo (S25° 18.587′ W048° 11.820′) que tentamos inutilmente passar de um lado ou de outro. Tivemos que aguardar uma hora para ter água suficiente e seguir na rota do Cruzeiro Costa Sul (ABVC), sem maiores problemas (excetuando as mutucas) nem encalhes até Marujá, sempre com 2m ou mais de água.

O chamado Canal do Varadouro, na realidade, é formado por rios que foram aproveitados e uma parte que foi excavada para interligá-los. Isto aparece claramente durante o passeio: as margens dos rios são cobertas de mangue, com aquela vegetação típica de raizes altas que entram na lama. O Canal, por sua vez, tem as beiras verticais e pedras na parte junto à água, como pode ser visto nas fotos abaixo. Em alguns lugares há sambaquis que aparecem, cortados pela água.

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Final do canal do Varadouro, onde ele foi excavado

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Lateral do canal

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Outro lado do canal

A receita para passar o Varadouro do sentido Oeste para Leste parece ser sair da Ilha dos Pinheiros 3h30 antes da maré alta (Cananeia ou Canal Sudeste), entre 4,5 e 5,5 nós SOG.

Como dito no início deste post, as marés dos dias 25 a 27 seriam máximas (Lua nova), 1.5m em Cananeia, logo fazer a tentativa no Sábado 25 (maré alta às 15h23) deixa 2 dias de folga para passar. Não tivemos necessidade deles mas dava uma certa segurança.

Passamos na frente de Ariri e logo chegamos em Marujá, na Ilha do Cardoso. Às 16h40, ancoramos frente ao Restaurante/Pousada do Cardoso e desembarcamos. Fomos até o mar, caminhamos um pouco pela comunidade do Marujá e voltamos ao barco, para levantar ferro e ir um pouco mais ao SW, a meia milha de Marujá: muita gente, muita canoa, muita lancha, muito barulho. Carnaval…

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Chegando na vila de Ariri

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“Ônibus” escolar. Vimos diversos destes

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Oceano visto do lado oposto de Marujá, na Ilha do Cardoso,

Perna 5: Marujá a Cananeia

A noite foi serena, o pessoal acabou ficando quieto cedo (não tem eletricidade!). Saimos para Cananeia, 20 milhas, com maré baixa subindo. Vimos muito mais aves neste trecho que no anterior, talvez por ser mais cedo e ser maré baixa com mais terra exposta: guarás, colhereiros, garças e muitos outros. Mas não parava de passar canoas motorizadas cheias de passageiros e muitas lanchas, algumas grandes, cujos pilotos tinham prazer em fazer marolas e perturbar a natureza, barquinhos com pescadores e nosso veleirinho.  Até jetskis passaram tirando finas!

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Colhereiros

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Colhereiros

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Guarás

Chegamos a Cananeia no inicio da tarde, fomo abastecer no Centro Náutico de Cananeia em vista de uma provável volta a motor e fomos ancorar para visitar a cidade. Paramos perto dos pontões na orla da cidade, onde estavam instaladas caixas acústicas derramando uma barulheira infernal – não medi os decibeis mas devia estar na casa dos 90 a 100 – no barco. Compramos uns produtos frescos, voltamos ao barco e decidimos alterar o programa: aproveitar que a maré estava cheia para zarpar para Angra no lugar de tentar passar a noite neste inferno, num Domingo de carnaval.

Passamos a barra de Cananeia sem problemas e, ao pôr do Sol, nos afastamos da costa. O barco estava indo muito devagar, a motor, pelo menos 1 nós mais lento do que deveria. Aproveitando a mar calmo e a falta de vento, mergulhei para ver se havia algo preso embaixo. Nada, tudo limpo, salvo uma infinidade de craquinhas de uns 4 a 5mm, mortas, cobrindo o fundo todo. Tinhamos visto craquinhas no fundo do bote em Antonina e o pessoal dizia no Clube que tinha que raspar o casco a cada 15 dias. Talvez tenha sido la e elas morreram na água doce. Saíam com a mão mas com pouca luz, não havia o que fazer.

Perna 6: Cananeia a Angra

A volta tem 250 milhas e, segundo a última previsão que conseguimos pegar uns dias antes, havia uma chance do vento mudar de NE-SE para SE-SW. Pouco vento mas pelo menos a favor. Seguimos a motor e vela, devagar por causas das cracas mas, a partir da Ilha de Queimada Grande, correnteza a favor. A viagem foi absolutamente tranquila, com 2 horas de vela apenas, perto de Ilhabela, mar de óleo.

Chegamos na Joatinga na terça de manhã. Voltar a Bracuhy e passar a noite na marina não parecia um bom programa (calor e barulho). Decidimos ir para a Praia dos Meros, na ponta SW da Ilha Grande e passar o dia e noite la, para voltar à marina na quarta de manhã e seguir para casa à tarde. Rota alterada, chegamos nos Meros às 11h30, quando havia 3 veleiros e 10 lanchas fundeados. Tudo bem, ancoramos longe da praia, colocamos o toldo e fomos descansar.

Como dizem os americanos: “wishful thinking“. No pico, fim de tarde, mais de 50 lanchas, de 20 a 80 pés, um punhado mais de veleiros e muito barulho – cada um ouvindo sua música e achando que todos gostam dela (ou colocam alto para não ouvir a do vizinho). O campeão foi a lancha Bella Vita, cheia de jovens, que, a uns 300m, ficou impondo seu mau gosto a tarde toda até 18h30, quando todas as outras lanchas já tinham ido embora e eu estava seriamente cogitando nadar até ela para cortar a corrente da sua âncora.

O resto da noite transcorreu sem problemas, com a calma que um lugar paradisíaco como este merece.

Na manhã seguinte, uma rápida passada de esponja no casco devolveu o nó faltando à velocidade do barco e chegamos rapidamente à Marina Porto Bracuhy. Foram 111 horas de motor e menos de 10 de vela, que vergonha! Bom, afinal, somos cruzeiristas de carteirinha e não tinha vento…

Humor na vela perde um grande cartunista

28/01/2017

Mike Peyton faleceu aos 96 anos dia 25/1/2017. É pouco conhecido no Brasil embora seus desenhos apareçam em muitos sites e revistas de vela. Velejador, britânico, coloca nos seus cartoons um humor… inglês, com as peripécias de um velejador no mar do Norte. Porém as espectativas, o deslumbramento, as mentiras e as bobagens dos que velejam são universais e cada um pode se identificar (ou ver os outros) nos seus desenhos. Abaixo alguns dos meus preferidos.

Este é o preferido da Frédérique….

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Algumas vezes, Mike, velejar é só um pouco melhor que trabalhar

Ainda não cheguei nisto mas é uma postura frequente entre nossos amigos cruzeiristas…

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Deixo de ser purista a partir de força cinco

Esta é para os saudosos, que ainda sonham com sextante!

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Você sempre fala dos bons velhos dias, então é melhor ir para seu turno. As baterias estão mortas e estamos sem motor, piloto automático, GPS, rádio, profundímetro, registro…

Sobre o Nautic e o SPBS

11/12/2016

Esta semana tive o prazer de visitar o salão náutico de Paris, o NAUTIC. Como participei do estande da ABVC no São Paulo Boat Show deste ano, não posso deixar de fazer uma comparação entre os dois salões e também com visitas passadas ao Nautic.

Ambos os salões de certa forma refletem o mercado, o público e o ambiente marítimo em que os visitantes navegam. Talvez não reflita todos os visitantes, pois muitos vão ai para sonhar, mas certamente os barcos expostos estão relacionados ao local de utilização. Questão entradas, as pagas valem 16 euros (13 se compradas antes do salão abrir as portas), valor semelhante ao SPBS, com a diferença que é possível chegar de transporte público até a porta. Ambos são salões náuticos terrestres, longe do mar.

Com duas entradas obtidas via Sail The World fomos no dia da inauguração, na hora da abertura. Primeira constatação: presença de numerosos cambistas que tentam vender convites gratuitos. Familiar, não é? O Nautic fica espalhado sobre 5 pavilhões e uma passarela. O primeiro, que tem os veleiros, tem uma área da ordem da soma dos outros quatro e é a entrada principal. O segundo tem equipamentos e materiais para veleiros, a passarela roupas de tempo e companhias de seguro, os outros três motores, lanchas e… equipamento de piscina.

Na primeira visita percorremos os dois primeiros salões e a passarela já que nosso interesse é vela. Entramos na abertura, saimos quando iam fechar, 9 horas depois. Numa segunda visita, em que fui sozinho, resolvi deixar de lado meu sectarismo e ver os pavilhões “motor” justamente para comparar com o SPBS. E na terceira visita, revimos tudo.

O pavilhão da vela

O que chamou a atenção este ano foi a drástica redução do número de veleiros de cruzeiro cabinados expostos, quando comparado com visitas anteriores. Apenas três grandes fabricantes, todos franceses, estavam presentes com meia dúzia de barcos cada (Béneteau, Jeanneau e Dufour), de 20 a 56 pés. Alguns outros tinham um ou dois barcos expostos e muitos estaleiros que costumavam apresentar seus lançamentos ou modelos mais populares tinham apenas um pequeno estande com fotos e miniaturas.

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Alubat, que fabrica os famosos Ovni de aluminio. Agora só maquetes e fotos.

Estande da Bavaria. Desta vez ausente nos monocascos.

Estande da Bavaria: nenhum veleiro exposto e num cantinho apenas a maquete de um catamaran.

O maior veleiro, um “one-off” de aluminio da CNB, tinha 76 pés, maior barco da feira. Para ocupar o espaço vazio, tinha jipes e até um jetski (elétrico)! Jipe rebocando veleiro, tudo bem, mas jipe sozinho? Tá certo que a Jeep é patrocinadora, mas choca um pouco. O SPBS fazendo escola? Bom, pelo menos não havia helicóptero nem carro de luxo, que nada tem a ver com nautismo.

Ainda na semelhança com o SPBS de 2016, havia alguns barcos antigos expostos, entre eles o Penduick V, de aluminio, aberto à visitação, trazido por uma associação que preserva os Penduicks e a memória do grande velejador Eric Tabarly. Projetado por Tabarly e lançado em 1968, o Penduick V é considerado precursor dos IMOCA 60 do Vendée Globe: quilha torpedo, fundo plano, tanques de lastro, desenhado para ser ótimo no través, venceu a Transpac (São Francisco-Tokyo) em 1969 com 11 dias a menos que a previsão, pegando os japoneses de surpresa.

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Penduick V visto pela popa: a forma é revolucionária para os anos 60.

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Cockpit simples, cana de leme, muitas manobras no pé do mastro.

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Proa lançada. Tabarly queria uma proa reta para “aumentar o comprimento útil do casco”.

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Primeiro veleiro com lastro de água (bombeado à mão), tem mais uma inovação: quilha de bulbo de chumbo.

Além dos veleiros grandes, o primeiro pavilhão abriga os veleiros de competição para uma ou duas pessoas, alguns veleiros muito bonitos para velejar de dia, pranchas, caiaques, basicamente qualquer coisa que flutua, pouco importa sua forma. Deve ter uma centena de modelos espalhados pelo salão.

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Vela “leve”. À esquerda o legendário 505, à direita modelos modernos

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Gazelle des sable, pequeno mas elegante.

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Standup paddle a pedal com guidão. Anda rápido e não balança.

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Triciclo à vela dobrável.

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Linhas clássicas, material moderno, lindo barco para passeio de dia.

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Linhas modernas e estranhas, material clássico.

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Veleiro rígido desmontável

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… o Tiwal aparece inflado e pronto para velejar

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Único veleiro capaz de passar pela chaminé…

Serviços para a vela e turismo

Uma seção concentra empresas de locação e organismos de turismo que oferecem serviços no mundo inteiro. Editoras de livros e revistas náuticos  e livrarias aproveitaram o salão para lançamentos. Houve entrega de diversos prêmios literários e sessões de dedicatórias. Finalmente, todo tipo de associações ligadas ao mundo do mar e da ecologia tem pequenos estandes: Sail the World, Hisse et Oh, associações de classe, até o Sea Shepherd!

Uma surpresa: havia um pequeno estande brasileiro, da empresa Brasil Kite Trip, de um francês e uma brasileira de Teresina, que vende pacotes para fazer kitesurf no Nordeste.

Um pouco de Brasil no Nautic: o estande da Brasil Kite Trip.

Um pouco de Brasil no Nautic: o estande da Brasil Kite Trip.

Atrações ligadas à água

Como a regata Vendée Globe estava em curso durante a feira, colocaram um estande que ficava ativo durante o horário em que os responsáveis pela regata falavam ao vivo com os velejadores. Assim tivemos a chance de ouvir de um lado Sam Davis (no salão) falando com seu marido Romain Attanasio a bordo do seu barco, declarando quão inusitado era ela estar em terra falando com ele no mar (na edição anterior ela estava participando velejando e depois foi fazer a Volvo) e que agora que ele entrava nos mares do Sul, estava ficando com ciumes… Isto antes dele perder os dois lemes numa colisão com um ofni. Alguns patrocinadores de veleiros da regata estavam presentes, com informações sobre seus barcos. Um tinha até um foil exposto.

Ainda no salão principal há tanques para atividades práticas, de salvamentos a prática standup ou surf. Durante o Nautic há atividades fora do salão náutico, ligadas à água, tal como a travessia de Paris em standup, que este ano juntou 600 pessoas num percurso de 11km no Sena.

Crianças aprendendo standup paddles. Há adultos na raia. Depois fazem uma regata.

Crianças aprendendo standup paddles. Há adultos na raia. Depois fazem uma regata.

Aula de surf? Aqui está, com pelos tombos. Falta de controle leva o surfista para a parte de cima da "onda".

Aula de surf? Aqui está, com belos tombos. Falta de controle leva o surfista para a parte de cima da “onda”.

O pavilhão dos equipamentos

A parte de equipamentos é uma festa à parte. O que um imagina, lá tem. De fechos de saco plástico e sacolas estanques a velas de alta performance, de tampa para lata de cerveja a sistemas para subir em mastros. Roupas, eletrônicos, dessalinizadores, baterias de litio de alta capacidade, tem de tudo para todos. Preços? Já não é mais para todos, pelo menos para nós brasileiros. No entanto, muitas lojas estão presentes e dão descontos de 10% a 25% durante a feira. Até lojas como o Au Vieux Campeur, que não participa, tem desconto de 20% sobre os produtos náuticos. Assim ainda dá para achar coisas boas a comprar. Mas é para barco, logo é cobrado como tal, na França como no Brasil.

O setor “motor”

A visita ao setor “motor”, mais semelhante ao SPBS, foi esclarecedor em muitos aspectos, pois mesmo com a contração do mercado, o filé-mignon do salão ainda são os veleiros. Em primeiro lugar, quando comparado com o setor de vela, havia muito menos pessoas, as ruas estavam quase vazias. Em segundo, o tipo de barco é totalmente diferente do SPBS. A metade do que estava exposto era formada por todo tipo de infláveis, de pequenos de 2m a grandes de 30 ou mais pés, alguns cabinados sendo o maior de 47 pés! Havia alguns pequenos botes no setor de veleiros, inclusive um modelo muito interessante de bote de fundo rígido dobrável em três – sim, o fundo de fibra tinha duas dobradiças transversais. No setor “motor” o foco era o inflável como um barco autônomo, não de apoio. Um novo produto chamava a atenção: fundo rígido de aluminio, bordas de hypalon infláveis, mais leve e resistente que o de fibra e com 10 anos de garantia.

Lanchas como conhecemos no SPBS? Poucas. A maior tinha 50 pés, a média na casa dos 30. Um pouco chocante… a Beneteau e a Jeanneau tinham muito mais lanchas expostas do que veleiros, talvez 4 vezes mais. O que chama a atenção é a forma das embarcações: são projetadas para um mar mais duro, com proa mais alta, proteção lateral no lugar de guarda mancebo, com cara de lentas e fortes, não para alta velocidade em mar liso, mais para trawler. Havia muitos modelos de lanchas para pesca ou transporte de coisas e pessoas, nada de luxo. Nos estandes, vendedores principalmente homens de meia idade, nada de manequins de cabelo comprido rebolando… o negócio é barco. Mesmo as (poucas) recepcionistas tinham cara de quem navega. Muitos clientes eram formados por casais. Ah, sim, mais uma distinção entre as embarcações: na ala “motor” basicamente todos os barcos tinham âncora tipo Bruce. No setor vela, nenhum. Em nenhum estande da feira eu vi à venda âncora Bruce. Delta, Spade, Fortress, Rocna e outras, sim, mas nada de Bruce. Finalmente, no setor “motor”, claro que havia motores, alguns poucos de centro mas muitos de popa, nenhum de dois tempos, de 2,3HP a 400HP. Havia um que funcionava a GLP. Motores de popa elétricos, só no setor de vela. Lá também tinha o mais ecológico dos motores de popa: movido a feijão – uma volta de manivela para girar o hélice 3 voltas!

"Motor de popa" manual. Nada mais ecológico!

“Motor de popa” manual. Nada mais ecológico!

Foil-ia

04/12/2016

Graças à Marinha Francesa, Hervé Borde e sua equipe realizaram quarta passada uma filmagem fantástica dos dois líderes da Vendée Globe  (regata solo sem escala e sem assistência) na região das Ilhas Kerguelen (metade do Índico): felizmente para a honra nacional, Armel Le Cleac’h estava liderando  progredindo com certa calma (a mais de 20 nós). A algumas milhas dele,  Alex Thomson fez o Thomson: barco com muita vela (extremamente adernado pois ele quebrou seu foil de boreste e está prejudicado com vento de bombordo). Vejam o que o ingles fez após escalar seu cockpit tipo Everest. Lembrete: sim Alex Thomson é aquele do keel walk, mast walk e kitesurfing com seu IMOCA 60.

 

A animação abaixo explica o funcionamento de um foil. Ele não faz o monocasco voar fora da água mas ele permite que aderne menos e tenha menos arrasto. Barcos com foils são mais rápidos no vento entre través e popa acima de uns 17 nós e continuam liderando o ranking da regata.

 

Quanto ao tamanho, aquí está uma foto de um foil tomada ontem no Salão Naútico de Paris. (Estou com grandes olheiras devido à viagem mas me sacrifiquei para dar uma ideia da escala).  O foil pode ser recolhido para dentro do casco.foil

ALL YOU NEED IS GLOBE

06/11/2016
29 competidores saindo de Sables d'Olonne hoje (6/11/16). Foto V.Curutchet

29 competidores saindo de Sables d’Olonne hoje (6/11/16). Foto V.Curutchet

Hoje largou  a Vendée Globe, a regata de volta ao mundo solo, sem parada, sem assistência que  empolga franceses e não franceses  a cada quatro anos. Ela é extremamente mediatizada (33 cadeias de televisão entre outros, 350 000 torcedores na partida). Há muitos sites  com informações interessantes (sua chance de praticar seu francês)

http://www.voilesetvoiliers.com/

http://www.bateaux.com/

bem como videos e muito mais (francês e inglês) em

www.vendeeglobe.org/

A novidade deste ano são os barcos com foil, por enquanto 6 dos 7 primeiros os tem.

As margens da Guarapiranga

30/10/2016
Familia de marrecos toucinho.

Família de marrecas-toicinho.

Este fim de semana fomos participar de uma sessão (de madrugada) de observação de aves no Parque Linear Nove de Julho na Guarapiranga. Não tinhamos ideia da diversidade de pássaros que vive às margens da represa. Das nossas velejadas, só lembrava de biguás, garças e quero-queros.

Vimos vários tipos de marrecos (pé-vermelho, toicinho) até mesmo familias, diversas espécies de maçaricos e garças (brancas-grandes e pequenas, moura), savacus,  colhereiros, engraçados talha-mares, pernilongos-de-costas-negras, tesouras e andorinhas, carquejas-de-bico-amarelo, mergulhões grandes, além de dezenas de jaçanãs (ou cafezinhos) e centenas de frangos-de-água.  Para inicantes como nós,os pássaros bem grandes são mais fáceis de identificar  mas nosso grupo de 40 pessoas avistou mais de 80 espécies. A presença de excelentes guias também ajudou.

Marreco pé-vermelho.

Marreca-pé-vermelho.

Marreca-toicinho.

 

Garça-branca pequena.

Garça-moura.

Savacu.

Jaçanãs.

Frango d´água.

Frango-d´água-comum.

Maria cavaleira cantando.

Maria-cavaleira cantando.

Há também flores diferentes

e bichos como est ratào-do-banho que pegou no sono num pneu flutuando.

e bichos como est ratão-do-banhado que pegou no sono num pneu flutuando.

Alias, lixo não é o que falta.

Infelizmente há muito lixo.

Para quem frequenta a Guarapiranga, este é um excelente passeio (mas preciso avisar que devido à falta de verba do parque no momento, se vê muito lixo). Levar um guia de campo (livro ou app) e binoculos ou máquina fotográfica com zoom permite aproveita-lo melhor.

Exposição de garças.

Três tipos de garças juntos.

Rio Grande a Florianópolis

11/08/2016

A previsão de janela de tempo se manteve. Os barcos foram abastecidos em comida, combustível e água e as tripulações ficaram animadas com a perspectiva de finalmente poder seguir para o Norte e principalmente para temperaturas mais elevadas. Fomos muito bem tratados, tanto em Rio Grande quanto em Pelotas, mas 3 semanas pesam no ânima e acabam com qualquer planejamento de cruzeiro, troca de tripulantes e programação cultural, gastronômica ou turística. Estávamos mais que maduros para seguir adiante.

Foi dada a largada para a perna considerada a mais complicada, de Rio Grande a Florianópolis, cerca de 350 milhas, passando pelo Cabo de Santa Marta, que mais ou menos marca a mudança de regime de ventos entre o Sul e o Sudeste do Brasil. Marca também os limites norte da área Alpha e sul da Bravo e Charlie. Deveriamos ter ventos de SW a S, inicialmente na casa dos 12 a 14 com rajadas de 18 e um pouco de chuva. Aos poucos o vento deveria diminuir até ficar nulo um pouco antes de chegarmos a Santa Marta, porém com céu descoberto. Saimos com uma leve chuva. 3 horas antes, os veleiros Mirage e Navegante, um pouco mais lentos, tinham zarpado de forma a ter alguma dianteira em relação ao resto da flotilha mas tomaram uma chuva bem mais forte. Na saida do porto cruzamos com a plataforma P74 da Petrobras entrando para carenagem. Trambolho enorme com algo em torno de 9 rebocadores para puxá-lo e manobrá-lo. Ficamos fora do canal, do lado leste, para deixar espaço de sobra. Perto da extremidade dos molhes havia muita onda, de todos os lados, mas uma vez fora ficou mais regular.

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Pesqueiro e sua núvem de pássaros

Vista do porto de Imbituba

Vista do porto de Imbituba

A previsão de tempo foi acertada: tivemos pouco vento, de alheta a popa rasa, alguns momentos mais forte mas em geral insuficiente para velejar. Excetuando cerca de 6 horas de vela pura, o resto foi a motor e vela ou meramente a motor, mais de 50 horas deste regime de vento de porão. Como viemos perto da costa, com cerca de 20m de profundidade, não tivemos problemas de barcos de pesca nem de navios e ainda beneficiamos de uma boa correnteza a favor, enter 0,5 e 1,5 nós!

Flotilha saindo de Pinheira

Flotilha saindo de Pinheira

A flotilha encontrou-se em Pinheira onde chegou entre 19:00 e 23:00 da segunda 8/8. Fundeamos, com uma leve ondulação do Sul e nenhum vento.

Na terça 9/8 adiamos um pouco a saida por causa do espesso nevoeiro que cobria a enseada, misturado com uma leve garoa e nenhum vento. Saimos finalmente à 9:00, a motor, é claro. Os veleiros Durney e Puelche foram por fora da Ilha de Santa Catarina diretamente à sub-sede do ICSC em Jurerê pois a altura do mastro não os deixar passar debaixo da ponte. A passagem por Naufragados foi calma, sem arrebentação e entramos no canal com cerca de 1 nós de corrente contra. Assim que chegamos mais perto da ilha a corrente acabou e seguimos tranquilamente em fila indiana, liderados pelo Gipsy Wind que ia cantando as alterações de rumo.

Flotilha logo antes de chegar nas redes de camarões

Flotilha logo antes de chegar nas redes de camarões. Na ordem: Bartholomé, El Mago, Fugitivo II, Mirage e Navegante. O Durney e o Puelche foram por fora da Ilha direto a Jurerê.

Passamos por pequenos barcos de pesca e logo um deles veio rápido em nossa direção com gente gesticulando feito ventilador e gritando coisas incompreensíveis. Pelo jeito estavamos cerca de sua rede mas nada aparecia na superficie. Finalmente deu para ver uma boia avermelhada e outra semelhante mais longe e deu para entender que eles queriam que fossemos contornar a boia mais distante. Porque raios este pessoal não usa radio ou não vem perto e fala onde está sua rede e por onde passar no lugar de ficar feito biruta? Eles estavam pescando camarões, enormes por sinal, mostraram um para talvez explicar seu desespero.

Vencido este primeiro obstáculo e logo adiante apareceram mais boias e mais barcos. Quando as boias eram iguais dava para inferir que a rede estava entre as duas mas havia redes com boias distintas. Apenas uma tinha flutuadores que a mantinham na superficie onde era bem visível. As outras… Passamos por cima de uma, o que fez barulho, e El Mago se enroscou bem em outra, teve que parar e um dos tripulantes mergulhou para verificar que o hélice estava livre. Ficamos todos parados, entre redes, aguardando o desfecho. Sucesso, hélice limpo, vamos em frente.

Enquanto todos esperavam, o tempo ia passando e para mim, muito depressa: esta seria minha última perna, voltaria para casa e tinha vôo marcado para 15:42 e tinha que estar no ICSC até no máximo 13:30 para dar tempo. Pedi ao Fugitivo II, que boiava ao lado, me levar, já que o Gipsy Wind aguardava o El Mago e seu megulhador para ver se tinha ficado algo enganchado na quilha ou na rabeta. Assim, sem mais despedidas, fomos zigzagueando entre boias e redes até o clube, que pediu para pegarmos uma poita e aguardar o “vai e vem” para desembarcar. O “vai” até que foi rápido, mas o  “vem” demorou. Mais 15 minutos… teria tão simples eu pular no cais, que estava livre, e depois o Fugitivo ir pegar a poita! Mas deu certo, cheguei no balcão 20 minutos antes de fecharem o vôo. Ufa.

Fim desta “traição”, volto para nosso Kilimandjaro com algumas milhas a mais no meu log, alguns conhecimentos de veleiro novos ou diferentes aprendidos, alguns ensinados, muito mais fluência no portuñol e, principalmente, uma nova perspectiva da convivência a bordo que me levou a uma certa auto-crítica no meu comportamento com pessoas que velejaram e velejam no Kilimandjaro. Creio que futuros tripulantes vão se beneficiar do que aprendi neste mês e meio.

O CDLA teve seu cronograma alterado e espero encontrá-lo na Baia de Ilha Grande quando chegar la, por volta do dia 20.

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