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Frase náutica de junho

15/06/2017

“Se para ganhar, você precisa perder a estima dos seus adversários,  então não ganhou nada.”

Frase de Paul Elvstrom, velejador dinamarquês dono de quatro medalhas de ouro obtidas em seguida nos jogos olímpicos, treze vezes campeão mundial, sete vezes campeão europeu. Ele sabe seu ofício.

 

Uma relíquia: livro sobre regras em regata de Paul Elvstrom com os veleirinhos de plástico.

Muitos de nós o conhecem pelo livrinho acima, pelas famosas velas, bem como barcos.

 

Amuras a estibordo ou não, acho que você está abusando da sorte. (Desenho: M.Peyton)

Agora rumo ao Brasil

27/05/2017

 

 

 

 

Chegada em Santa Helena no dia de Santa Helena

21/05/2017

 

O Shoestring chegou em Santa Helena este domingo 21/5, o dia de celebração de sua santa padroeira e descoberta pelos portugueses há 515 anos. Hurrah!

Santa Helena de supetão?

06/05/2017

O Philippe vai fazer mais uma tentativa  de chegar à Ilha de Santa Helena. A ideia é pegar ela de surpresa, chegando de fininho de uma direção imprevista  e com barco inesperado.

O Philippe está na Africa do Sul. Fez as formalidades de saída hoje em Cidade do Cabo com Peter e Brian. Eles devem zarpar daqui algumas horas rumo ao Brasil, via shhhhhhhhhhhhhh.

O barco, Shoestring,  é um lindo Shearwater 39, o mesmo modelo  que o Windward do nosso amigo Allan, com o qual  Philippe fez parte da costa brasileira até o Caribe o ano passado.

De Gordon’s Bay a Cidade do Cabo via o Cabo de Boa Esperança … a motor.

Shoestring no Royal Cape Yacht Club (vale a pena zoomar para ver os detalhes).

Quem quiser acompanhar pode clicar na página do Kilimandjaro sobre “O SPOT do Kilimandjaro”. Por enquanto o sinal do spot está chegando, mas pode ser que mais longe não seja o caso.

Frase náutica de maio

01/05/2017

Naviguer, c’est accepter les contraintes que l’on a choisies. C’est un privilège. La plupart des humains subissent les obligations que la vie leur a imposées.” Éric Tabarly – Mémoires du large.

“Navegar, é aceitar as exigências que você escolheu. É um privilégio. A maior parte dos humanos se submetem às obrigações que a vida lhes impõe.”

 

Frase náutica de abril

09/04/2017

Muitas frases náuticas são pequenos concentrados de sabedoria e há tempo que eu queria colocar uma cada mês. Então aquí está a primeira, uma das favoritas do Philippe, que ele viu na casa de um velejador:

“Inasmuch as three quarters of the earth’s surface is water and only one fourth land, the good Lord’s Intentions are very clear. A man’s time should be divided -three fourths for boating and one fourth for work.”

“Visto que três quartos da superfície da terra são água e somente um quarto terra, as Intenções do bom Senhor são muito claras. O tempo de uma pessoa deve ser dividido -três quartos para navegar   e um quarto para trabalhar.”

Carnaval no Varadouro

04/03/2017

Aproveitando férias e Carnaval resolvemos fazer um rápido cruzeiro de 700 milhas: Angra dos Reis a Antonina (Paranaguá) pelo mar e voltando via canal do Varadouro e Cananeia. Domingo 26 seria lua nova, e as marés seriam máximas dias 25 a 27, permitindo a passagem do canal no Sábado 25 com pelo menos mais 2 dias de folga em caso de encalhe.

Perna 1: Bracuhy a Antonina, 300 milhas.

Saimos de Bracuhy no domingo 19/2/17 às 6h30 da manhã. O plano era chegar na terça depois das 8h00 na entrada do canal das Galhetas com a maré baixa, para entrar com a enchente nós empurrando para Antonina. Com as informações do pessoal da ABVC, haviamos feito contato com o Clube Nautico de Antonina e eles estavam nos aguardando com uma poita para o Kilimandjaro.

Basicamente, motoramos o tempo todo (47h em 54h) pois havia pouco vento (de popa) ou nenhum mas tivemos umas poucas horas de vela, prazeirosas, mais perto de Paranaguá. De notável… grandes manchas vermelhas na água, logo passando a Joatinga, muitos golfinhos nos acompanhando e fazendo acrobacias e, à noite, um céu maravilhoso.

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Chegamos numa hora imprópria: 12h40. Tentamos contactar o clube via VHF mas ninguém respondia então mudamos de tecnologia e o celular foi prontamente atendido.  Muito prestativos, vieram imediatamente indicar a poita. Ficamos no barco um bom tempo arrumando a confusão que sempre reina depois de 54 horas de navegação, mesmo a motor. Deixamos o barco pronto para zarpar, um hábito no Kilimandjaro. Baixamos, fomos fazer o check-in e saborear o que de fato é uma das maiores satisfações da vela: tomar um banho de chuveiro no fim de uma longa e quente velejada. Depois, claro, um sorvete e sucos enquanto aguardávamos o posto entregar 20l de diesel, encomendados na secretaria.

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                Veleiros apoitados frente ao Clube Nautico de Antonina

A noite foi tranquila mas um pouco quente pois a água estava em 29,5°C e havia pouco vento. De manhã fomos à cidade para conhecer, fazer umas compras e almoçar (restaurante Brisa do Mar, por quilo, muito bom).

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Igreja matriz  de Nossa Senhora do Pilar, Antonina

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Ruinas de um antigo armazém

Perna 2: Antonina a Guaraqueçaba

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                    Guaraqueçaba vista do ponto de ancoragem

Nosso plano original era ir à Ilha das Peças (Rio das Peças) mas conversando com o pessoal e trocando mensagens com um velejador “ABVC” da região (veleiro Furioso), mudamos para Guaraqueçaba, o que alonga pouco a rota e era um local novo para nós. Saimos às 8h10 da quinta 23/2 e chegamos às 13h15, a motor, claro. Ancoramos logo ao Norte do trapiche, como aconselhados, e fomos à terra passear. A parte bonita da cidade é a que fica frente à água. Mas que calor! Comi a excelente casquinha de siri do Armazém Rodrigues, acompanhada de suco de acerola bem gelado.

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Pontão principal, onde amarramos nosso bote

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Pontão das canoas com o principal ao fundo

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Armazém Rodrigues por fora

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Armazém Rodrigues por dentro.

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Uma das águias

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Igrejinha

Voltamos ao Kilimandjaro um pouco mais cedo que o previsto e isto foi sorte: maré vazante, o motor do bote parou e foi um ufa para chegar remando contra correnteza. Nisto entrou um SE de mais de 15 nós que”equilibrava” a correnteza. O efeito, bem conhecido que quem ancora em rios, é colocar o barco atravessado na correnteza, navegando de um lado para outro, puxando a âncora para lá e para cá e enroscando o cabo de amarra na quilha e no leme. Passei um par de horas no leme mantendo o barco alinhado com a correnteza até acalmar. Logo em seguida, entrou um temporal com chuva, vento e raios, como poucas vezes o Kilimandjaro vivenciou! Um raio caiu perto e acabou-se a luz na cidade. Isto durou umas 2 horas e meia e quando acabou, maré enchendo, … o vento rondou 180 graus e recomeçou a brincadeira pré-temporal. Mas aí havia espaço para eventualmente garrar (o que não aconteceu) e fomos dormir, com alarme de âncora e uma olhada no GPS mais ou menos a cada hora.

Amanheceu tudo em paz, céu limpo, com um monte de canoas a motor indo e vindo. Guaraqueçaba tem um posto de combustível (Diesel e gasolina) ao lado do cais na ponta Sul, onde atracam estas canoas, uma dica para quem quer abastecer sem ir a Paranaguá.

Tivemos o prazer de observar muitas vezes botos cinzas vindo à tona, alguns em Antonina e muitos em Guaraqueçaba. Porém eles são quase impossíveis de serem fotografados: diferentemente dos golfinhos do mar, eles vem à superfície, isolados ou em pequeno número, respiram e mergulham, ficando bastante tempo submersos antes de voltarem para respirar. Também não parecem levados a acompanhar um veleiro!

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Canoas tradicionais com pescadores

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Uma das comunidades nas margens

Perna 3: Guaraqueçaba a Ilha dos Pinheiros

Nesta sexta 24, nosso objetivo era ir a Barbados (Ilha de Superagüi) para almoçar e visitar o museu no Restaurante do Lopes e depois ancorar junto à Ilha dos Pinheiros, um percurso de 30 milhas. Almoço não deu e o museu estava fechado pois havia muito material de construção armazenado. Assim mesmo o Sr. Lopes abriu a porta e pudemos entrever as antigas ferramentas utilizadas para fazer farinha de mandioca, uma atividade proscrita hoje. Espero que voltem a expor estas peças, são muito interessantes. Há algumas fotos e mais detalhes no relato do Cruzeiro Costa Sul de 2016. De positivo, há agora um lindo pontão que permite desembarque sem ter que caminhar no lodo.

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Ilha dos Pinheiros. Os papagaios ficam principalmente na ponta Norte, que aparece à esquerda na foto. Outras aves ficam na ponta Sul.

Seguimos para a Ilha dos Pinheiros, com o objetivo de ver e ouvir os papagaios-de-cara-roxa, que habitam nela, saem de manhã para passar o dia fora e voltam ao anoitecer. E de fato, por volta das 17h30 (pôr do Sol oficial 18h48), começaram a aparecer pares de aves no alto, que desciam sobre a ilha. Aos pouco começou uma ruideira que foi crescendo à medida que chegavam mais papagaios em pares ou trios, até ficar dificil conversar no barco. Num intervalo de um minuto, quando o Sol se pôs, a barulheira acabou totalmente, como se alguém tivesse desligado uma chave. Silêncio total!!!

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Papagaios-de-cara-roxa empoleirados numa árvore

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Biguás e biguatingas na outra ponta da Ilha

Estávamos ancorados a uns 200 m da costa da ilha e um app do celular mediu 30dB no silêncio e 65 a 70dB no pico da algazarra!

3 paragaios-de-cara-roxa chegando na Ilha dos Pinheiros

       Três papagaios-de-cara-roxa chegando na Ilha dos Pinheiros

Perna 4: Ilha dos Pinheiros a Marujá (Varadouro)

A noite foi tranquila, sem chuva nem raios nem barulho de aves. Mas mal o dia clareou (cerca de 30 minutos antes do amanhecer oficial) que recomeçou a festa, com, surpresa, umas saracuras 3 potes cantando e dominando a barulheira de fundo! Aos poucos, pares ou grupos maiores que logo se separavam em pares ou trios, foram aparecendo no céu e indo para todos os lados. O barulho foi baixando e acabou cerca de uma hora depois do amanhecer mas não de forma tão abrupta quanto à noite – ficaram uns papagaios na ilha.

Aguardamos a maré subir um pouco e saimos às 11h00, devagar rumo ao Varadouro. Uma hora mais tarde estavamos retidos por um alto fundo (S25° 18.587′ W048° 11.820′) que tentamos inutilmente passar de um lado ou de outro. Tivemos que aguardar uma hora para ter água suficiente e seguir na rota do Cruzeiro Costa Sul (ABVC), sem maiores problemas (excetuando as mutucas) nem encalhes até Marujá, sempre com 2m ou mais de água.

O chamado Canal do Varadouro, na realidade, é formado por rios que foram aproveitados e uma parte que foi excavada para interligá-los. Isto aparece claramente durante o passeio: as margens dos rios são cobertas de mangue, com aquela vegetação típica de raizes altas que entram na lama. O Canal, por sua vez, tem as beiras verticais e pedras na parte junto à água, como pode ser visto nas fotos abaixo. Em alguns lugares há sambaquis que aparecem, cortados pela água.

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Final do canal do Varadouro, onde ele foi excavado

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Lateral do canal

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Outro lado do canal

A receita para passar o Varadouro do sentido Oeste para Leste parece ser sair da Ilha dos Pinheiros 3h30 antes da maré alta (Cananeia ou Canal Sudeste), entre 4,5 e 5,5 nós SOG.

Como dito no início deste post, as marés dos dias 25 a 27 seriam máximas (Lua nova), 1.5m em Cananeia, logo fazer a tentativa no Sábado 25 (maré alta às 15h23) deixa 2 dias de folga para passar. Não tivemos necessidade deles mas dava uma certa segurança.

Passamos na frente de Ariri e logo chegamos em Marujá, na Ilha do Cardoso. Às 16h40, ancoramos frente ao Restaurante/Pousada do Cardoso e desembarcamos. Fomos até o mar, caminhamos um pouco pela comunidade do Marujá e voltamos ao barco, para levantar ferro e ir um pouco mais ao SW, a meia milha de Marujá: muita gente, muita canoa, muita lancha, muito barulho. Carnaval…

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Chegando na vila de Ariri

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“Ônibus” escolar. Vimos diversos destes

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Oceano visto do lado oposto de Marujá, na Ilha do Cardoso,

Perna 5: Marujá a Cananeia

A noite foi serena, o pessoal acabou ficando quieto cedo (não tem eletricidade!). Saimos para Cananeia, 20 milhas, com maré baixa subindo. Vimos muito mais aves neste trecho que no anterior, talvez por ser mais cedo e ser maré baixa com mais terra exposta: guarás, colhereiros, garças e muitos outros. Mas não parava de passar canoas motorizadas cheias de passageiros e muitas lanchas, algumas grandes, cujos pilotos tinham prazer em fazer marolas e perturbar a natureza, barquinhos com pescadores e nosso veleirinho.  Até jetskis passaram tirando finas!

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Colhereiros

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Colhereiros

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Guarás

Chegamos a Cananeia no inicio da tarde, fomo abastecer no Centro Náutico de Cananeia em vista de uma provável volta a motor e fomos ancorar para visitar a cidade. Paramos perto dos pontões na orla da cidade, onde estavam instaladas caixas acústicas derramando uma barulheira infernal – não medi os decibeis mas devia estar na casa dos 90 a 100 – no barco. Compramos uns produtos frescos, voltamos ao barco e decidimos alterar o programa: aproveitar que a maré estava cheia para zarpar para Angra no lugar de tentar passar a noite neste inferno, num Domingo de carnaval.

Passamos a barra de Cananeia sem problemas e, ao pôr do Sol, nos afastamos da costa. O barco estava indo muito devagar, a motor, pelo menos 1 nós mais lento do que deveria. Aproveitando a mar calmo e a falta de vento, mergulhei para ver se havia algo preso embaixo. Nada, tudo limpo, salvo uma infinidade de craquinhas de uns 4 a 5mm, mortas, cobrindo o fundo todo. Tinhamos visto craquinhas no fundo do bote em Antonina e o pessoal dizia no Clube que tinha que raspar o casco a cada 15 dias. Talvez tenha sido la e elas morreram na água doce. Saíam com a mão mas com pouca luz, não havia o que fazer.

Perna 6: Cananeia a Angra

A volta tem 250 milhas e, segundo a última previsão que conseguimos pegar uns dias antes, havia uma chance do vento mudar de NE-SE para SE-SW. Pouco vento mas pelo menos a favor. Seguimos a motor e vela, devagar por causas das cracas mas, a partir da Ilha de Queimada Grande, correnteza a favor. A viagem foi absolutamente tranquila, com 2 horas de vela apenas, perto de Ilhabela, mar de óleo.

Chegamos na Joatinga na terça de manhã. Voltar a Bracuhy e passar a noite na marina não parecia um bom programa (calor e barulho). Decidimos ir para a Praia dos Meros, na ponta SW da Ilha Grande e passar o dia e noite la, para voltar à marina na quarta de manhã e seguir para casa à tarde. Rota alterada, chegamos nos Meros às 11h30, quando havia 3 veleiros e 10 lanchas fundeados. Tudo bem, ancoramos longe da praia, colocamos o toldo e fomos descansar.

Como dizem os americanos: “wishful thinking“. No pico, fim de tarde, mais de 50 lanchas, de 20 a 80 pés, um punhado mais de veleiros e muito barulho – cada um ouvindo sua música e achando que todos gostam dela (ou colocam alto para não ouvir a do vizinho). O campeão foi a lancha Bella Vita, cheia de jovens, que, a uns 300m, ficou impondo seu mau gosto a tarde toda até 18h30, quando todas as outras lanchas já tinham ido embora e eu estava seriamente cogitando nadar até ela para cortar a corrente da sua âncora.

O resto da noite transcorreu sem problemas, com a calma que um lugar paradisíaco como este merece.

Na manhã seguinte, uma rápida passada de esponja no casco devolveu o nó faltando à velocidade do barco e chegamos rapidamente à Marina Porto Bracuhy. Foram 111 horas de motor e menos de 10 de vela, que vergonha! Bom, afinal, somos cruzeiristas de carteirinha e não tinha vento…

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