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Rio Grande a Florianópolis

11/08/2016

A previsão de janela de tempo se manteve. Os barcos foram abastecidos em comida, combustível e água e as tripulações ficaram animadas com a perspectiva de finalmente poder seguir para o Norte e principalmente para temperaturas mais elevadas. Fomos muito bem tratados, tanto em Rio Grande quanto em Pelotas, mas 3 semanas pesam no ânima e acabam com qualquer planejamento de cruzeiro, troca de tripulantes e programação cultural, gastronômica ou turística. Estávamos mais que maduros para seguir adiante.

Foi dada a largada para a perna considerada a mais complicada, de Rio Grande a Florianópolis, cerca de 350 milhas, passando pelo Cabo de Santa Marta, que mais ou menos marca a mudança de regime de ventos entre o Sul e o Sudeste do Brasil. Marca também os limites norte da área Alpha e sul da Bravo e Charlie. Deveriamos ter ventos de SW a S, inicialmente na casa dos 12 a 14 com rajadas de 18 e um pouco de chuva. Aos poucos o vento deveria diminuir até ficar nulo um pouco antes de chegarmos a Santa Marta, porém com céu descoberto. Saimos com uma leve chuva. 3 horas antes, os veleiros Mirage e Navegante, um pouco mais lentos, tinham zarpado de forma a ter alguma dianteira em relação ao resto da flotilha mas tomaram uma chuva bem mais forte. Na saida do porto cruzamos com a plataforma P74 da Petrobras entrando para carenagem. Trambolho enorme com algo em torno de 9 rebocadores para puxá-lo e manobrá-lo. Ficamos fora do canal, do lado leste, para deixar espaço de sobra. Perto da extremidade dos molhes havia muita onda, de todos os lados, mas uma vez fora ficou mais regular.

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Pesqueiro e sua núvem de pássaros

Vista do porto de Imbituba

Vista do porto de Imbituba

A previsão de tempo foi acertada: tivemos pouco vento, de alheta a popa rasa, alguns momentos mais forte mas em geral insuficiente para velejar. Excetuando cerca de 6 horas de vela pura, o resto foi a motor e vela ou meramente a motor, mais de 50 horas deste regime de vento de porão. Como viemos perto da costa, com cerca de 20m de profundidade, não tivemos problemas de barcos de pesca nem de navios e ainda beneficiamos de uma boa correnteza a favor, enter 0,5 e 1,5 nós!

Flotilha saindo de Pinheira

Flotilha saindo de Pinheira

A flotilha encontrou-se em Pinheira onde chegou entre 19:00 e 23:00 da segunda 8/8. Fundeamos, com uma leve ondulação do Sul e nenhum vento.

Na terça 9/8 adiamos um pouco a saida por causa do espesso nevoeiro que cobria a enseada, misturado com uma leve garoa e nenhum vento. Saimos finalmente à 9:00, a motor, é claro. Os veleiros Durney e Puelche foram por fora da Ilha de Santa Catarina diretamente à sub-sede do ICSC em Jurerê pois a altura do mastro não os deixar passar debaixo da ponte. A passagem por Naufragados foi calma, sem arrebentação e entramos no canal com cerca de 1 nós de corrente contra. Assim que chegamos mais perto da ilha a corrente acabou e seguimos tranquilamente em fila indiana, liderados pelo Gipsy Wind que ia cantando as alterações de rumo.

Flotilha logo antes de chegar nas redes de camarões

Flotilha logo antes de chegar nas redes de camarões. Na ordem: Bartholomé, El Mago, Fugitivo II, Mirage e Navegante. O Durney e o Puelche foram por fora da Ilha direto a Jurerê.

Passamos por pequenos barcos de pesca e logo um deles veio rápido em nossa direção com gente gesticulando feito ventilador e gritando coisas incompreensíveis. Pelo jeito estavamos cerca de sua rede mas nada aparecia na superficie. Finalmente deu para ver uma boia avermelhada e outra semelhante mais longe e deu para entender que eles queriam que fossemos contornar a boia mais distante. Porque raios este pessoal não usa radio ou não vem perto e fala onde está sua rede e por onde passar no lugar de ficar feito biruta? Eles estavam pescando camarões, enormes por sinal, mostraram um para talvez explicar seu desespero.

Vencido este primeiro obstáculo e logo adiante apareceram mais boias e mais barcos. Quando as boias eram iguais dava para inferir que a rede estava entre as duas mas havia redes com boias distintas. Apenas uma tinha flutuadores que a mantinham na superficie onde era bem visível. As outras… Passamos por cima de uma, o que fez barulho, e El Mago se enroscou bem em outra, teve que parar e um dos tripulantes mergulhou para verificar que o hélice estava livre. Ficamos todos parados, entre redes, aguardando o desfecho. Sucesso, hélice limpo, vamos em frente.

Enquanto todos esperavam, o tempo ia passando e para mim, muito depressa: esta seria minha última perna, voltaria para casa e tinha vôo marcado para 15:42 e tinha que estar no ICSC até no máximo 13:30 para dar tempo. Pedi ao Fugitivo II, que boiava ao lado, me levar, já que o Gipsy Wind aguardava o El Mago e seu megulhador para ver se tinha ficado algo enganchado na quilha ou na rabeta. Assim, sem mais despedidas, fomos zigzagueando entre boias e redes até o clube, que pediu para pegarmos uma poita e aguardar o “vai e vem” para desembarcar. O “vai” até que foi rápido, mas o  “vem” demorou. Mais 15 minutos… teria tão simples eu pular no cais, que estava livre, e depois o Fugitivo ir pegar a poita! Mas deu certo, cheguei no balcão 20 minutos antes de fecharem o vôo. Ufa.

Fim desta “traição”, volto para nosso Kilimandjaro com algumas milhas a mais no meu log, alguns conhecimentos de veleiro novos ou diferentes aprendidos, alguns ensinados, muito mais fluência no portuñol e, principalmente, uma nova perspectiva da convivência a bordo que me levou a uma certa auto-crítica no meu comportamento com pessoas que velejaram e velejam no Kilimandjaro. Creio que futuros tripulantes vão se beneficiar do que aprendi neste mês e meio.

O CDLA teve seu cronograma alterado e espero encontrá-lo na Baia de Ilha Grande quando chegar la, por volta do dia 20.

Estadia em Pelotas e volta a Rio Grande

05/08/2016
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Flotilha saindo do Rio Grande Yacht Club a caminho de Pelotas

Com a porta meteorológica fechada, para não sobrecarregar o RGYC e distrair os participantes foi organizada uma velejada para Pelotas, onde o Clube de Caça e Pesca de Pelotas (CCPP) seria nosso ponto de chegada. Este clube vem recebendo o CDLA há alguns anos e seu comodoro Carlos nos recebeu de braços e clube abertos. Seguimos para lá dia 28, uma quinta com ventos favoráveis leves e sol. Fomos recebidos por um drone que filmou e fotografou a chegada da flotilha. O video pode ser visto no site do CDLA e no youtube.

Pudemos velejar uma boa parte da rota entre Rio Grande e a entrada para o canal de São Gonçalo. A um certo ponto cruzamos um trecho que tinha água do mar (verde) e da lagoa (marrom), um contraste de côr e movimento de água (onda e corrente). Isto aparece nitidamente na foto abaixo.

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Flotilha navegando nas águas da Lagoa dos Patos, prestes a entrar em água salgada dentro da Lagoa

Navio Trevo Oeste cortando a flotilha sem aviso

Navio Trevo Oeste cortando a flotilha sem aviso

Um pouco adiante, ao chegar no baixio do Diamante, tivemos um exemplo, felizmente raro, de comportamento perigoso, irresponsável e inapropriado do comandante de um navio, o Trevo Oeste (de Porto Alegre), que sem maiores avisos (rádio ou sonoro), guinou 45 graus a bombordo, passou raspando na popa do Gipsy Wind, que estava na frente e fechou o resto da flotilha que estava a um pouco atras, ou seja, meteu o barco num burraco de menos de um comprimento do navio cortanto a flotilha. Todos estavam à vela, través orçado, e o movimento do navio jogou 3 barcos sobre o baixio, vento na cara! Uma rajada teria provocado o choque dos veleiros acelerados no navio, uma diminuição do vento e ele passava por cima do Gipsy Wind. É a primeira vez que vejo este tipo de atitude num navio relativamente grande. Tá certo, por ser de Porto Alegre, o capitão deve ser marinheiro de água doce.

Flotilha no canal de São Gonçalo

Flotilha no canal de São Gonçalo

Esta não foi a única emoção da travessia. O Gipsy Wind, logo depois de jogar ferro e recuar para atracar de popa no cais do clube, ficou sem movimento. O motor funcionava, borbulhava água de lado tanto engatado para frente quanto para tras, mas não saia do lugar, como se estivesse encalhado porém tinha mais de 2m de água debaixo da quilha. Com o vento empurrando lentamente o barco para o cais, deu para lançar um longo cabo e puxar o barco até amarrá-lo. O clube chamou um mergulhador que veio ao anoitecer com um compressor portátil e desceu para retirar do hélice um enorme saco plástico, daqueles de embrulhar máquina de lavar ou geladeira. Num segundo mergulho ele retirou mais plástico enroscado atrás do hélice na rabeta. Um terceiro depois dos testes de tração confirmou que tudo estava em ordem. Nelson, mergulhador profissional, foi muito conciencioso e eficiente no seu trabalho.

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Mergulhador se preparando

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e saindo com o saco de plástico depois do primeiro mergulho

A idéia era ficar sexta e sábado, voltando no domingo. Na sexta, com um dia fresco mas ensolarado, fui com mais 6 velejadores a Pelotas, andando. Nada como uns 7 km para abrir o apetite. Almoçamos barato: R$15 para um salad bar com arroz-feijão, e frango assado, bisteca de porco, polenta frita e macarrão (4 escolhas de molho) servidos individualmente. Muita comida no La Commune, e muito saborosa!

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Como a vi…

Minha cama fica atras da mesa de navegação, perto do painel de distribuição. De madrugada acordo e no meio do sono me parece ver uma aranha se destacando num luminoso vermelho indicando a presença de 220V do cais. Susto. Acordo de vez e de fato não é minha imaginação… há uma aranha mesmo. Aqui estão as fotos dela como a vi e com flash.

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…e com flash

Ela veio me visitar no mesmo lugar nas noites seguintes. Deve ficar nesta lâmpada para esquentar a barriga, pois está frio mesmo, à noite.

Flotilha no Arroio de Pelotas

Flotilha no Arroio de Pelotas

Sábado fizemos um churrasco para a flotilha e algumas pessoas do clube. Fomos convidados a permanecer mais uns dias, o que acabou sendo aceito por todos com muito prazer. As sobras do churrasco deram para um jantar na segunda, quando festejamos o aniversário do Gustavo, comandante do veleiro Bartholomé. Mas a segunda começou complicada. Ao amanhecer entrou um sudoeste forte (previsto). Os barcos estavam atracados de popa, com a proa na âncora apontando para o Sul.

sobras do churrasco viraram um segundo jantar.

sobras do churrasco viraram um segundo jantar.

O vento vindo pela bochecha de boreste fez os barcos tenderem a encostar um no outro e contra o cais. Felizmente o problema aconteceu quando já tinha luz e pouco a pouco os velejadores sairam de suas cabines ouvindo vozes dos outros fora e todos ajudando aqui e ali, com o apoio do bote que o clube havia posto à nossa disposição, tudo entrou nos eixos. A solução final foi passar um cabo pela proa dos barcos e atar sua extremidade na ponta do trapiche. Terminada a confusão… o vento diminuiu, claro.

O domingo foi quentinho e com pouco vento. Pela primeira vez desde que saimos de Buenos Aires pudemos vestir shorts e camisetas, aproveitando um lindo dia.

Na quarta saimos de Pelotas rumo a Rio Grande. A diversão foi desfazer o “nó” de âncoras e a teia de aranha de cabos que haviamos tecido no sábado. Até ai é simples, basta lembrar-se da ordem em que as coisas foram feitas e ir do fim para o começo. O problema são os guinchos de âncora, alguns aproveitaram a ocasião para se recusarem a funcionar de cara ou quando o ferro estava quase na vertical. O ponto que mais gerou adrenalina foi quando o El Mago engatou a ré, que não quis mais desengatar. Tenta para frente, para tras, para frente, acelerando cada vez mais o motor, com o barco recuando cada vez mais rápido. Evitaram o cais por centímetros, barcos ancorados por pouco e finalmente foram em alta velocidade, de popa, rio acima até conseguirem apagar o motor, jogar ferro e ver o que aconteceu. Um contrapino que faltou no comando de marcha na rabeta. Já passei por isto no Kilimandjaro quando um mecânico de competência duvidosa “esqueceu” de colocar este mesmo contrapino quando reinstalou o motor depois de uma reforma. Devo ter dado o mesmo show e tido a mesma injeção de adrenalina.

Todos desatracados, âncoras guardadas de uma forma ou outra, seguimos para Rio Grande. Motoramos contra o vento até a lagoa, quando abrimos as velas. A velejada durou um pouco mais de uma hora, depois motoramos com vento e também contravento. Navegar na Lagoa dos Patos é um prazer um pouco tenso por causa dos baixios. Permanecer no canal balisado não é garantia de não encalhar. Perto da entrada do canal de São Gonçalo, por exemplo, há pedaços de bambú que indicam altos fundos no meio do canal, entre duas boias da mesma côr! O Gipsy Wind encalhou duas vezes nesta volta, outros uma vez e alguns felizes nenhuma.

Velerios chegando em Rio Grande cruzando 3 balsas. Trecho movimentado...

Veleiros chegando em Rio Grande cruzando 3 balsas. Trecho movimentado…

Chegamos no RGYC sem maiores problemas, de dia, aguardando noticias da continuação da viagem. Se nada mudar, será sábado 6/8 de manhã. Até la, preparar o barco, lavar roupa, comprar comida, abastecer água e combustível e quiçá visitar mais algum museu!

Estadia em Rio Grande – Parte 2

26/07/2016

Estadia em Rio Grande II – 20 a 26/07

São Pedro continua fechando a rota. Muito gozador, abre janelas 5 dias adiante e à medida que as previsões avançam, vai encolhendo o lado de Florianópolis mandando um NE que começa fraco e vai se reforçando. Enquanto isto fazemos reuniões que no fim servem mais para organizar churrascos, pizzas, visitas e turismo que navegação. A última janela que começaria amanhã (27/7) acabou de ser descartada de comum acordo. Quem sabe, a semana que vem? Há ventos de SW que começam segunda… e um ventão para a noite (40+ de oeste). Neste momento já sopra entre 25 e 30.

Tivemos assim um excelente churarsco, não, asado, já que foi pilotado pelo Osvaldo do veleiro Puelche e nós fomos comprar as carnes. Suprendentemente, foi muito dificil encontrar picanha. Será que ela é exportada para o prazer dos paulistas?

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… e menos tradicionais como legumes e morcela

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Churrasco: carnes tradicionais como picanha, fraldinha e linguiça…

Outro dia foi dedicado a uma visita a São José do Norte. Pega-se a lancha (monocasco ou catamaran)  no centro, em 30 minutos chega-se do outro lado. Após uma caminhada curta fomos ao restaurante Brisamar, que indica “Frutos do Mar” mas tem na realidade um serviço “por quilo” relativamente barato e saboroso. Para acessar aos tais “Frutos” precisa pedir o menu. Só descobri isto na minha segunda visita.
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Visita a São José do Norte quue tem uma parte mais antiga simpática

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e um restaurante razoável a bom, o Brisamar, aqui com parte do “kit de frutos do mar”. Pedimos 4 kits para 9 pessoas.

De resto, sobra passear por Rio Grande, ao longo da rua que acompanha a lagoa. Há paisagens agradaveis a ver e chega-se à parte histórica. Ela é menos preservada que São Francisco do Sul, por exemplo, mas mesmo assim vale uma visita. O Museu Náutico tem embarcações tradicionais da região e agora, desde o segundo semestre de 2015, há uma corveta desativada da Marinha do Brasil que pode ser visitada. Um marinheiro conduz o visitante pelo navio, explicando os detalhes e respondendo bem à perguntas.
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Rio Grande tem belas paisagens marítimas

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bandos de piriquitos em todos os lugares

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prédios históricos na região do porto

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e até um museu da Marinha, uma corveta aberta à visitação pelo Museu Náutico

No fim de semana acabei indo a Porto Alegre encontrar amigos que não via há 26 anos. Fomos a Atlântida, no litoral. Uma praia que não tem nem começo nem fim à vista, mar quebrando, faixa larga de areia dura, uma paisagem típica que vai do sul de Florianópolis até a Argentina. Tem seu charme pela simplicidade da paisagem. Com isto perdi a pizza feita em grupo mas voltei em tempo para saborear uma boa feijoada. Prefiro não monitoro meu peso!
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Vista da arrebentação em Atlântida, perto de Osório

Estadia em Rio Grande – parte 1

20/07/2016

Esta é nossa terceira passagem por Rio Grande, uma cidade simpática que tem alguns atrativos particulares, como os carros a vela no mole Oeste da entrada do porto, o belo Museu Náutico, o Museu do Porto e o Oceanográfico, todos muito interessantes. Tem também um atrativo mais pessoal, um restaurante de frutos do mar chamado Confraria do Porto. Eu vim salivando pensando nele desde que veio o convite para participar do Crucero.

O Rio Grande Yacht Club, que recebe o Crucero de la Amistad desde sua primeira edição, sempre faz uma recepção calorosa aos velejadores que aqui param e fomos, como sempre, muito bem recebidos.

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Panorâmica do RGYC com neblina

O primeiro dia, quinta 14, era O DIA para saciar esta vontade. O dia amanheceu sem vento com o clube coberto de névoa. Fomos fazer a entrada na Policia Federal e seguimos para a rodoviária para comprar a passagem de volta de Frédérique. Em seguida, rumo para o restaurante. Choque total: uma placa debaixo do painel do Confraria do Porto indicava “Aluga-se”!!! Incrédulo, fui confirmar com um pessoal que estava do outro lado da rua. Sim, havia fechado recentemente. Liguei para nosso amigo Guto… confirmado. E não há outro semelhante!

Com o rabo entre as pernas e as orelhas baixas, seguimos ao longo do porto e cruzamos com a tripulação do Fugitivo II que também estavam à procura deste restaurante. Acabamos almoçando num “por kilo” simples mas honesto e voltamos ao barco após passar pelo supermercado.

Sexta 15 veio com pelo uma promessa boa: uma enchovada à noite… e outra tristeza, a volta de Frédérique a SP, alguém tem que trabalhar nesta familia!

A anchovada foi muito boa. Funcionários do clube assaram 50 anchovas de pelo menos 1kg cada, uma por pessoa (sobrou). Acompanhada de molhos e pão e regadas com vinho argentino, estavam absolutamente deliciosas. Ficamos sabendo que, por causa do vento que soprava acima de 25 nós e ondas de mais de 4m, o porto estava fechado.

Anchovada. Da esquerda para a direita, as achovas sendo assadas, detalhe e prato servido

Anchovada. Da esquerda para a direita, as achovas sendo assadas, detalhe e prato servido

Para o Sábado estava previsto um café da manhã na Ilha dos Marinheiros, com duas viagens para levar os participantes numa chalupa do clube. O vento continuava a soprar na casa dos 25 a 30 e a travessia para a Ilha foi um bocado molhada. Mas nada para diminuir o ânimo da turma, que atacou os pães, frios, doces e outras guloseimas oferecidas, inicialmente regadas a quentão, seguido de chocolate quente e café. A segunda turma chegou e fomos procurar uma loja que vendia o famigerado vinho Jurupiga e alguns doces. A Ilha dos Marinheiros fornece também as verduras consumidas em Rio Grande, que alguns velejadores levaram de volta.

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Café da manhã aguardando a turba

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Plantação de verduras

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Venda do famoso vinho Jurupiga, especialidade da Ilha dos Marinheiros

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Duna e lagoa na Ilha dos Marinheiros

Chalupa voltando com participantes do Crucero

Chalupa voltando com participantes do Crucero

O retorno, quase a favor do vento, foi mais confortável. Pouca gente teve coragem de almoçar depois deste copioso “brunch”.

A previsão de tempo continuava de frio e muito vento. O domingo amanheceu com 5°C, sensação térmica de -0,9°C e ventos de 25 a 37 nós na barra, porto “impraticável total” segundo o site dos pilotos de Rio Grande (rgpilots.com.br). Dentro do Gipsy Wind, com aquecimento e tudo fechado, 14,7°C. Foi duro sair de debaixo dos cobertores, ainda mais sendo um domingo! Mas a vida continua, enchemos os tanques de água, colocamos diesel a partir de bujões e trocamos uma bateria.

Terça 19/7

Ontem o vento diminuiu e a temperatura aumentou um pouco. Nosso veleiro foi retirado da água para trocar os retentores da rabeta pois havia entrado água no oleo. De fato, o oleo parecia mais maionese que um lubrificante, ainda bem que o dono tem o hábito de verificar regularmente o oleo tanto do motor quanto da rabeta.

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Gipsy Wind sendo retirado da água

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Carlos e Maria limpando os componentes da rabeta e trocando os retentores

 À noite, na reunião dos comandantes, foi decidido que aguardariamos a próxima janela de tempo. A atual estava no fim, com vento diminuindo e implicando no uso do motor por quase um dia no fim da rota, antes do vento girar para NE, fechando a porta. Um grupo aproveitou para ir a Gramados e o restou ficou por aqui.

Havia uma perspectiva de janela para o fim de semana. No entanto, a previsão neste momento é de uma janela curta (2 dias) seguida de uma entrada de frente fria muito forte com ventos de mais de 40 nos (55 de rajada), ou seja, ninguém sabe até quando vamos usufruir da hospitalidade do RGYC! Amanhã teremos um “asado”.

Vou colocar este post no ar, o próximo só quando sairemos daqui.

Galeria de retratos / Crucero de la Amistad 2016

15/07/2016

O Crucero de la Amistad acontece todos os anos pares desde 2004, levando vários barcos de Buenos Aires até o Brasil. A perna final vai até Rio, Buzios ou, como este ano, Baia de Ilha Grande. Um aspecto interessante desse Crucero é a preparação que lhe antecede
com cursos de meterologia da zona a ser atravessada, problemas usuais num veleiro, treinamento com pirotécnicos e balsas, etc.  Fizemos estas atividades em 2012 quando haviamos levado Kilimandjaro até a Argentina e voltado com o Crucero.
Em 2016, os seguintes 8 veleiros estão participando:

Bartolome

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Modelo: Pandora 34
Tripulação: Gustavo e outros

Durney

durney

Modelo: Millenium 390
Tripulação: Daniel, Mari, Alex, Hugo, Anie.

Fugitivo II

fugitivo

Modelo: Victory 34
Tripulação: Osvaldo, Monica e outros

Gipsy Wind

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Modelo: Sol 105
Tripulação: Carlos, Maria, Frédérique, Philippe.

El Mago

elmago

Modelo: Bramador 34
Tripulação: Roberto, Alberto, Cristina

Mirage

mirage

Modelo: Mirage 33
Tripulação: Oliver, Diana, Mauro e outros.

Navegante

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Modelo: Navegante 33
Tripulação: Daniel e outros.

Puelche

puelche

Nativo 38
Tripulação: Angel, Osvaldo, Héctor

CDLA 2016 – terceira perna: La Paloma a Rio Grande

14/07/2016

A previsão pouco mudou, ventos um pouco mais amigos na saida (SW 20 com rajadas de 30) e na chegada (Leste de menos de 10 nós até a quinta à tarde). A rota é basicamente NE e NNE. O comodoro Carlos decidiu, ouvidos os comandantes, seguir nesta terça 12/7 às 10. Às 9:30 um que foi fazer sua saida voltou dizendo que com o novo boletim meteorológico, com aviso de tormenta com ventos F8 S/SW, o porto iria fechar. Carlos chamou pelo radio e confirmaram o fechamento, deixando, no entanto, aberta a possibilidade de uma autorização desde que os comandantes assinassem um termo tomando conhecimento do boletim, o que todos foram fazer. Logo depois da 10:00, os 8 veleiros estavam zarpando, alguns tendo trocado a vela de proa por bujas enroladas e até tormentim.

A saida foi um tanto agitada mas o vento real, de alheta, não passava de 18 a 20 com rajadas de 25. Todos estavam navegando apenas com a genoa parcialmente aberta, trinqueta, buja ou tormentim.

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Veleiros saindo de La Paloma com mar encrespado

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Detalhe do Mirage com genoa e mezena (rizada)

 

Pouco a pouco o vento foi aumentando, até começar a baixar no meio da tarde, exatamente como previsto. O pior foi ventos sustentados de cerca de 25 nós com rajadas um pouco acima de 30, bastante carneiros, ondas de menos de 2m, nada de muito assustador, ainda mais que era dia, com um sol lindo. Sol, sim, mas um frio de lascar! No caminho, cruzamos focas diferentes, pequenas, pulando as águas que nem golfinhos bem como o que pareciam ser pinguins.

Aos poucos o vento abaixou, a noite foi tranquila cum uma bela lua e de manhã estavamos todos a motor. Continuamos assim, sem vento mas com sol e mar cada vez mais de almirante até Rio Grande.

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Farolete encarnado da entrada do canal

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Focas se adaptaram bem à extensão dos moles de Rio Grande

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Entrando junto com navio dá um certo frio na barriga

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mas desta vez deu certo

Flotilha já dentro do canal ao entardecer

Flotilha já dentro do canal ao entardecer

A flotilha estava toda dentro de um raio de 6 milhas de forma que, tendo chegado relativamente cedo na entrada do canal do porto, decidimos não parar e seguir até o Rio Grande Yacht Clube. Como ele fica a 11 milhas da entrada, escureceu no caminho e a navegação teve seus momentos de tensão quando cruzamos ferryboats em alta velocidade perto do porto velho.

Uma chalupa estava esperando na entrada do RGYC, levando cada veleiro, um a um, para sua vaga. Já estava bem escuro e esta ajuda foi fundamental. Depois de um bom banho QUENTE e jantar, todos se retiraram para uma merecida noite, durante a qual choveu bastante.

Estadia em La Paloma

14/07/2016
centauro

Barco a vela sendo reformado pelo capitão Centauro Navegador, com o veleiro Mirage atracando.

Permanecemos de domingo 10/7 a terça 12/7 em La Paloma, último porto do Uruguai antes de chegar ao Brasil. O porto de La Paloma tem uma flotilha de pesqueiros grandes e pequenos, todos de casco vermelho, e alguns navios de porte um pouco maior mas tem pouco movimento. Claro, tem a marina para barcos de cruzeiro, a maioria veleiros. Alguns velejadores deixam seu barco la por períodos maiores ou para fazer reformas, como é o caso do brasileiro Centauro Navegador.

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Pesqueiros grandes…

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… e menores, todos de casco vermelho.

A grande preocupação foi quanto tempo teriamos que ficar la antes de ter uma janela conveniente para ir a Rio Grande. O fato de não ter chuveiros quentes não está alheio a esta preocupação. Embora tenham colocado um chuveiro masculino e um par feminino na segunda de manhã, à tarde já não havia mais água quente. A previsão era de chuvas na segunda à noite e muitos aproveitraram a sobra de bom tempo para caminhar até a cidade, a 2km, para comprar alguns mantimentos, o que fizemos também.

Segunda à noite fomos dormir sem uma definição clara do que fariamos na terca. Havia uma janela mais ou menos estável a partir da terça de manhã, que se fechava parcialmente na quarta à noite. Com 180 milhas, ficava apertado. Existia um problema nas duas pontas: na saida, a previsão era de ventos de SW de 25 com rajadas de 30 e a Prefectura fecha o porto quando há previsão de ventos acima de 20 nós! Havia um aviso de ventos fortes a muito fortes (F7 com rajadas F8) para o litoral do Uruguai. Na outra ponta, o vento rodando para Leste implicava numa eventual orça folgada caso virasse um pouco mais para ENE, que era a tendência nos arquivos grib. Foi marcada uma reunião para a terça às 9h00 para bater o martelo caso a previsão se mantivesse (ou a autoridade portuária fechasse a porta). A forte chuva veio, pelo menos nisto a meteorologia acertou.

Quase todos os comandantes fizeram a saida (hidrografia e prefectura) para não perder tempo se a saida fosse mesmo na terça.

Às 7h00 da manhã, com o sol começando a avermelhar o céu, sai para atualizar a meteorologia, meu papel. Um navio havia atracado atrás de nós durante a noite, com
enormes defensas no seu convês.

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Navio ELS Maite carregando defensas. Em primeiro plano, as boias das poitas para os veleiros, grandes, duras e en-cracadas.

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Detalhe de uma das defensas. Em volta são pneus de caminhões

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