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Nautic 2018 – a era dos infláveis?

18/12/2018

Mais uma vez consegui casar a data de uma passada por Paris com o salão náutico de Paris, o Nautic. Desta vez foi no dia e hora da abertura, que foi uma confusão como não esperava ver aqui. Pensava que a causa fosse revista de mochilas, mas não, era desorganização mesmo. Afunilar centenas de pessoas por uma porta nunca foi forma de organizar filas. Mas tudo bem, uma vez dentro o ambiente é outro, sempre agradável.

O que chamou nossa atenção logo na entrada foi a quantidade de stands oferecendo pranchas de standup paddle (SUP) de todos os tipos e tamanhos, muito mais que nos anos anteriores. Como tivemos umas aulas de SUP na raia da USP este semestre, tinhamos uma certa curiosidade sobre o que era oferecido nesta área e fomos ver de perto. O que vimos levou a este post. Parece que a tecnologia de fazer pranchas infláveis, o “drop stitch”, se consolidou e abriu uma quantidade infindável de aplicações, das quais escolhemos algumas na área náutica. Algumas delas, por sinal, vão tirar nosso sono e conforto de velejador. Deixamos de lado os botes de fundo inflavel “rígido”, cada vez mais comuns.

Pranchas enormes:

SUP de 18 pés entre outros modelos “pequenos”

Como aperitivo, que tal uma prancha de 18 pés? Olha o tamanho com uma pessoa em baixo. Vimos ela (a prancha) boiando no tanque de água que estava montado ao lado, com um cara remando sozinho. O coitado corria de um lado para outro.

Neste tanque, vimos uma competição de SUP e demonstrações de pranchas de kite e foils.

 


SUP sentado e caiaques:

Para quem gosta de remar sentado, tem a opção de colocar um assento na prancha ou ir direto para um caiaque com a mesma tecnologia. Repare na foto à direita, não é um caiaque inflável como no passado, tipo “jacaré”. Não, ele é rígido mesmo.

No caso do assento na prancha, foto à esquerda, veja ao lado do remo: tem uma parte que é a extremidade superior de um remo de SUP. Quando o caiaquista quiser transformar seu caiaque em SUP, basta retirar uma das pás do remo e colocar o acessório que terá uma legítima prancha de SUP com remo. O rapaz do stand disse que era para que a “esposa” com medo de remar em pé pudesse se acostumar e criar coragem. O kit completo, prancha, bomba, remos, assento e mochila, sai por menos de 400 euros!

Prancha com assento. O remo pode ser convertido para SUP

Caiaque inflável rígido

 


Bicicletas:

Para exercitar as pernas, tem pranchas movida a pedal. Uma armada com uma bicicleta cujos pedais movem um hélice e outra com pedais de pisar, mesmo efeito. Ambas, com guidão.

Prancha bicicleta, com guidão e pedal

Esta tem pedais que são movidos pisando neles.

 


SUP com vela:

Um protótipo interessante para quem gosta de SUP e windsurf é o que está sendo desenvolvido por uns jovens, o Turtle Mast (facebook.com/TurtleMast). Uma cinta prende suportes na prancha sobre os quais se inserem duas bolinas e o pé do mastro com a vela. O sistema é totalmente simétrico o que facilita gybes e bordos.

Detalhe das bolinas

Prancha com cinta e bolinas, remo e vela

Detalhe do suporte do pé

 


Veleiros infláveis:

Já para quem quer velejar, há o lançamento de um veleiro pequeno que pode ser carregado em 2 ou 3 sacos e montado em qualquer lugar, o Tiwal. O modelo 2 estava exposto, sendo um lançamento para 2019, assim como o Tiwal que já mostramos num post anterior, como o único veleiro que podia ser entregue pelo papai noel passando pela chaminé. Agora são dois! O 2 é totalmente inflável, o outro, inflável também, tem uma estrutura de metal que pode ser utilizada para escorar o barco:

Tiwal, com estrutura de metal

Tiwal 2, totalmente inflável


Tem até um catamarã classe C de 17 pés para até 4 pessoas, que cabe em 4 sacos, 80kg total. Um video o mostrava voando baixo!

dados do cat

Catamarã de 17 pés, que cabe em 4 sacolas


Outras atrações do Nautic:

Claro que o Nautic tem muita coisa interessante a ver além de geringonças infláveis (e o que foi mostrado acima é só uma parte do que vimos). Havia uma seção com barcos e outros objetos flutuantes movidos a eletricidade e muitos estandes com baterias de lítio cujo preço começa a ficar interessante. Visitamos uma “penichette” (para navegar em canais da Europa) de 15m movida a eletricidade, com 5 (6?) cabines. Feia sim, mas deve ser uma delicia deslizar em silêncio nos canais da Bourgogne, parando aqui ou lá para degustar o vinho do castelo local. Ainda na área de ambiente limpo, havia um setor com diversas iniciativas de limpeza dos oceanos com sistemas que catam plástico e se deslocam com as ondas.

Simulador de trimaran em realidade virtual:

Uma diversão muito bem feita foi a de um simulador 3D em realidade virtual do trimarã Macif (atualmente pilotado pelo François Gabart, que já ganhou muitas regatas com ele e estabeleceu recordes mundiais). Sentado numa poltrona que pode se mover para qualquer lado, com uma máscara de realidade virtual tampando os olhos, você está sentado num dos flutuadores do Macif, velejando a 30 nós. Mexendo a cabeça, pode-se ver as velas, a água, a paisagem, tudo. Um conjunto de ventiladores dão a sensação do vento e, quando o barco bate numa onda, respingos de água são borrifados que molham seu rosto. Bom, imagino que se era para ser mesmo realista, deveriam jogar baldes de água, não borrifar. Mas ai não teria fila para passar um minuto sonhando, sendo chacoalhado bruscamente a cada onda que passa!

Três senhoras imersas no mundo virtual do Macif

 


Ameaças:

Não visitamos o setor de lanchas e jetskis de modo que não sabemos que ameaças virão de lá. Mas há um lado menos simpático na área dos infláveis e pranchas que nos deixaram um pouco apreensivos quanto ao nosso sossego de velejador ancorado. A foto abaixo mostra uma prancha rígida (depois vimos uma inflável do mesmo tipo) com motor de jato de água dentro. O piloto fica em pé. Claro que fará menos ondas que um jetski ou um bote mas deve ser mais delicado de pilotar. Também tem um jeito de guilhotina flutuante para um nadador!

Prancha com motor de jato d’água embutido.


Uma outra moda são os foils, que agora aparecem em tudo quanto é barco (veleiro e lancha) mas também em pranchas (kite, surf). A novidade são foils com um pequeno hélice movido a bateria com 1h de autonomia que pode ser instalado embaixo de uma prancha de surf, SUP ou qualquer outra plataforma. Algumas pessoas com que conversamos mostravam a preocupação com a grande probabilidade de iniciantes e até experiente “foilistas” acabarem como decalques no costado dos barcos.

prancha com foil

E-Foil PWR, da Redwood Paddle.


Bom, isso é apenas uma parte ínfima do salão, claro. O resto nos fez rapidamente esquecer essas “ameaças”. Por exemplo, o Penduick I, exposto para arrecadar fundos para sua reforma!

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