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Conservação do patrimonio náutico

10/07/2018

O turista que visita Veneza tem como passeio obrigatório, entre outros, percorrer o Canal Grande entre Piazza San Marco e Piazzale Roma de vaporetto. As margens com seus palacios e palacetes mostram a riqueza que esta cidade teve, riqueza esta totalmente devida ao dominio marítimo que exerceu no Adriático e boa parte do Mediterraneo. Se houve este dominio, deveria haver alguma tradição náutica que tenha sobrado e muitos museus com peças da época. O que se vê ao andar ao longo dos canais são barcos a motor circulando, gôndolas aguardando turistas,  lanchinhas com motor de popa estacionadas e alguns barcos utilitários com motor de centro em seus afazeres.  A motorização, que data de um século, basicamente eliminou formas tradicionais de transporte na laguna.

Onde estariam os barcos tradicionais a vela e remo e os que fizeram de Veneza uma potência? Procurando na Internet achamos dois lugares a visitar: o Museo Storico Navale e uma associação que recupera barcos tradicionais, Arzanà.

O Museo estava fechado para reforma mas a parte em que barcos são expostos (Padiglione delle Navi), quase na entrada do Arsenale, estava aberta e visitável por 5 Euros. Fomos la ver o que tinha. Passamos um par de horas (o pessoal estava aguardando nossa saida para fechar as portas…) olhando de perto alguns barcos realmente diferentes, específicos para lagunas e lagos. Há dois barcos grandes da Marinha, reliquias da segunda guerra. Há também uma parte do iate Elettra utilizado por Guglielmo Marconi nos testes de transmissão de ondas de radio. O museu oferece uma visita virtual bem interessante.

A visita do museu foi certamente muito interessante, mas era um museu, que mostra barcos e objetos do passado. Ao tomar conhecimento da Arzanà, entramos num mundo diferente.

arzana1

Primeiro, a visita deve ser combinada pelo site. A associação indica um acompanhante fluente numa das linguas indicadas no formulário. Trocamos algumas mensagens e nossa visita foi agendada para uma terça feira à tarde. O local fica no fim de uma daquelas ruelas estreitas que terminam num canal, uma pequena porta com uma campainha marcada Arzanà, nada que indique o que tem por tras. O local é um antigo estaleiro (“squero”) onde gôndolas eram manufaturadas ou reparadas desde o XV século até o inicio do XX!

Nosso guia, Jerry, um senhor escossês que vive em Veneza há alguns anos, atendeu de imediato. Uma simpatia, muito animado com a cultura náutica da laguna, além de falar um inglês inteligível.

O local parece um depósito de peças e ferramentas, no meio do qual há uma antiga gôndola recém recuperada e algumas joias raras como uma capota (“felze”) de madeira, couro e veludo usada para proteger os passageiros no inverno. As paredes são cobertas de peças como “forcole” (suporte para os remos), lemes, remos, moitões de madeira de todos os tamanhos. No fundo há ferramentas utilizadas para cortar toras em táboas e trabalhar a madeira. Uma gôndola é feita com diversos tipos de madeira, mas cuja composição depende da oferta de material, recursos do comprador e tradição do artezão. Abaixo estão algumas fotos do que vimos. Há muita coisa para ver num espaço pequeno, daria para ficar horas bisbilhotando.

Do lado de fora, duas barcas estão atracadas, que devem ser utilizadas neste terça à noite para um evento de remos filantrópico. Depois de um par de horas falando e explicando, o Jerry precisa preparar estas barcas, que estão com água no fundo por causa da chuva do dia anterior. Nos despedimos com a sensação de termos visto algo único…

… e em extinção: sem espaço para guardar embarcações novas na cidade, cada “barco de plástico” toma o lugar de um de madeira que é queimado ou destruido, segundo o Jerry.

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  1. Sergio Olodum permalink
    11/07/2018 9:25

    Muito legal Philippe de sua parte, nos participar desta viagem,lendo me fez hoje reabrir o mapa múndi para localizar o Mar Adriático ,poxa a quantos anos não ouvia falar deste mar. Aula de geografia pela manha,muito legal.

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